O que a Igreja pensa oficialmente sobre a participação do católico na vida política?

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
NOTA DOUTRINAL 
sobre algumas questões relativas
à participação e comportamento dos católicos na vida política

A Congregação para a Doutrina da Fé, ouvido também o parecer do Pontifício Conselho para os Leigos, achou por bem publicar a presente “Nota doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política”. A Nota é endereçada aos Bispos da Igreja Católica e, de modo especial, aos políticos católicos e a todos os fiéis leigos chamados a tomar parte na vida pública e política nas sociedades democráticas.

I. Um ensinamento constante
1. O empenho do cristão no mundo em dois mil anos de história manifestou-se seguindo diversos percursos. Um deles concretizou-se através da participação na acção política: os cristãos, afirmava um escritor eclesiástico dos primeiros séculos, “participam na vida pública como cidadãos”[1]. A Igreja venera entre os seus Santos numerosos homens e mulheres que serviram a Deus através do seu generoso empenho nas actividades políticas e de governo. Entre eles, São Tomás Moro, proclamado Padroeiro dos Governantes e dos Políticos, soube testemunhar até ao martírio a “dignidade inalienável da consciência”[2]. Embora sujeito a diversas formas de pressão psicológica, negou-se a qualquer compromisso e, sem abandonar “a constante fidelidade à autoridade e às legítimas instituições” em que se distinguiu, afirmou com a sua vida e com a sua morte que “o homem não pode separar-se de Deus nem a política da moral”[3].  
As sociedades democráticas actuais, onde louvavelmente todos participam na gestão da coisa pública num clima de verdadeira liberdade[4], exigem novas e mais amplas formas de participação na vida pública da parte dos cidadãos, cristãos e não cristãos. Todos podem, de facto, contribuir através do voto na eleição dos legisladores e dos governantes e, também de outras formas na definição das orientações políticas e das opções legislativas que, no seu entender, melhor promovam o bem comum[5]. Num sistema político democrático, a vida não poderia processar-se de maneira profícua sem o envolvimento activo, responsável e generoso de todos, “mesmo na diversidade e complementaridade de formas, níveis, funções e responsabilidades”[6].
Através do cumprimento dos comuns deveres civis, “guiados pela consciência cristã”[7] e em conformidade com os valores com ela congruentes, os fiéis leigos desempenham também a função que lhes é própria de animar cristãmente a ordem temporal, no respeito da natureza e da legítima autonomia da mesma[8], e cooperando com os outros cidadãos, segundo a sua competência específica e sob a própria responsabilidade[9]. É consequência deste ensinamento fundamental do Concílio Vaticano II que “os fiéis leigos não podem de maneira nenhuma abdicar de participar na ‘política’, ou seja, na multíplice e variada acção económica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover de forma orgânica e institucional o bem comum”[10], que compreende a promoção e defesa de bens, como são a ordem pública e a paz, a liberdade e a igualdade, o respeito da vida humana e do ambiente, a justiça, a solidariedade, etc.
A presente Nota não tem a pretensão de repropor o inteiro ensinamento da Igreja em matéria, aliás resumido, nas suas linhas essenciais, no Catecismo da Igreja Católica; entende apenas relembrar alguns princípios próprios da consciência cristã, que inspiram o empenho social e político dos católicos nas sociedades democráticas[11]. Fá-lo, porque nestes últimos tempos, não raras vezes sob a pressão dos acontecimentos, apareceram orientações ambíguas e posições discutíveis, que tornam oportuna a clarificação de aspectos e dimensões importantes da temática em questão.
 II. Alguns pontos fulcrais no actual debate cultural e político
2. A sociedade civil encontra-se hoje dentro de um processo cultural complexo, que evidencia o fim de uma época e a incerteza relativamente à nova que desponta no horizonte. As grandes conquistas de que se é espectadores obrigam a rever o caminho positivo que a humanidade percorreu no progresso e na conquista de condições de vida mais humanas. O crescimento de responsabilidades para com os Países ainda em fase de desenvolvimento é certamente um sinal de grande relevância, que denota a crescente sensibilidade pelo bem comum. Ao mesmo tempo, porém, não se podem ignorar os graves perigos, para os quais certas tendências culturais tentam orientar as legislações e, por conseguinte, os comportamentos das futuras gerações. 
Constata-se hoje um certo relativismo cultural, que apresenta sinais evidentes da sua presença, quando teoriza e defende um pluralismo ético que sanciona a decadência e a dissolução da razão e dos princípios da lei moral natural. Em conformidade com essa tendência, não é raro, infelizmente, encontrar, em declarações públicas, afirmações que defendem que esse pluralismo ético é condição para a democracia[12]. Assim, verifica-se que, por um lado, os cidadãos reivindicam para as próprias escolhas morais a mais completa autonomia e, por outro, os legisladores julgam respeitar essa liberdade de escolha, quando formulam leis que prescindem dos princípios da ética natural, deixando-se levar exclusivamente pela condescendência com certas orientações culturais ou morais transitórias[13], como se todas as concepções possíveis da vida tivessem o mesmo valor. Ao mesmo tempo, invocando erroneamente o valor da tolerância, pede-se a uma boa parte dos cidadãos – entre eles, aos católicos – que renunciem a contribuir para a vida social e política dos próprios Países segundo o conceito da pessoa e do bem comum que consideram humanamente verdadeiro e justo, a realizar através dos meios lícitos que o ordenamento jurídico democrático põe, de forma igual, à disposição de todos os membros da comunidade política. Basta a história do século XX para demonstrar que a razão está do lado daqueles cidadãos que consideram totalmente falsa a tese relativista, segundo a qual, não existiria uma norma moral, radicada na própria natureza do ser humano e a cujo ditame deva submeter-se toda a concepção do homem, do bem comum e do Estado. 
3. Uma tal concepção relativista do pluralismo nada tem a ver com a legítima liberdade dos cidadãos católicos de escolherem, entre as opiniões políticas compatíveis com a fé e a lei moral natural, a que, segundo o próprio critério, melhor se coaduna com as exigências do bem comum. A liberdade política não é nem pode ser fundada sobre a ideia relativista, segundo a qual, todas as concepções do bem do homem têm a mesma verdade e o mesmo valor, mas sobre o facto de que as actividades políticas visam, vez por vez, a realização extremamente concreta do verdadeiro bem humano e social, num contexto histórico, geográfico, económico, tecnológico e cultural bem preciso. Do concreto da realização e da diversidade das circunstâncias brota necessariamente a pluralidade de orientações e de soluções, que porém devem ser moralmente aceitáveis. Não cabe à Igreja formular soluções concretas – e muito menos soluções únicas – para questões temporais, que Deus deixou ao juízo livre e responsável de cada um, embora seja seu direito e dever pronunciar juízos morais sobre realidades temporais, quando a fé ou a lei moral o exijam[14]. Se o cristão é obrigado a “admitir a legítima multiplicidade e diversidade das opções temporais”[15], é igualmente chamado a discordar de uma concepção do pluralismo em chave de relativismo moral, nociva à própria vida democrática, que tem necessidade de bases verdadeiras e sólidas, ou seja, de princípios éticos que, por sua natureza e função de fundamento da vida social, não são “negociáveis”. 
No plano da militância política concreta, há que ter presente que o carácter contingente de algumas escolhas em matéria social, o facto de muitas vezes serem moralmente possíveis diversas estratégias para realizar ou garantir um mesmo valor substancial de fundo, a possibilidade de interpretar de maneira diferente alguns princípios basilares da teoria política, bem como a complexidade técnica de grande parte dos problemas políticos, explicam o facto de geralmente poder dar-se uma pluralidade de partidos, dentro dos quais os católicos podem escolher a sua militância para exercer – sobretudo através da representação parlamentar – o seu direito-dever na construção da vida civil do seu País[16]. Tal constatação óbvia não pode todavia confundir-se com um indistinto pluralismo na escolha dos princípios morais e dos valores substanciais, a que se faz referência. A legítima pluralidade de opções temporais mantém íntegra a matriz donde promana o empenho dos católicos na política, e esta matriz liga-se directamente à doutrina moral e social cristã. É com um tal ensinamento que os leigos católicos têm de confrontar-se constantemente para poder ter a certeza que a própria participação na vida política é pautada por uma coerente responsabilidade para com as realidades temporais. 
A Igreja é consciente que se, por um lado, a via da democracia é a que melhor exprime a participação directa dos cidadãos nas escolhas políticas, por outro, isso só é possível na medida que exista, na sua base, uma recta concepção da pessoa[17]. Sobre este princípio, o empenho dos católicos não pode descer a nenhum compromisso; caso contrário, viriam a faltar o testemunho da fé cristã no mundo e a unidade e coerência interiores dos próprios fiéis. A estrutura democrática, sobre que pretende construir-se um Estado moderno, seria um tanto frágil, se não tiver como seu fundamento a centralidade da pessoa. É, aliás, o respeito pela pessoa que torna possível a participação democrática. Como ensina o Concílio Vaticano II, a tutela “dos direitos da pessoa humana é condição necessária para que os cidadãos, individualmente ou em grupo, possam participar activamente na vida e na gestão da coisa pública”[18]
4. É a partir daqui que se estende a complexa teia de problemáticas actuais, que não tem comparação com as dos séculos passados. O avanço da ciência, com efeito, permitiu atingir metas que abalam a consciência e obrigam a encontrar soluções capazes de respeitar, de forma coerente e sólida, os princípios éticos. Assiste-se, invés, a tentativas legislativas que, sem se preocuparem com as consequências das mesmas para a existência e o futuro dos povos na formação da cultura e dos comportamentos sociais, visam quebrar a intangibilidade da vida humana. Os católicos, em tal emergência, têm o direito e o dever de intervir, apelando para o sentido mais profundo da vida e para a responsabilidade que todos têm perante a mesma. João Paulo II, na linha do perene ensinamento da Igreja, afirmou repetidas vezes que quantos se encontram directamente empenhados nas esferas da representação legislativa têm a “clara obrigação de se opor” a qualquer lei que represente um atentado à vida humana. Para eles, como para todo o católico, vale a impossibilidade de participar em campanhas de opinião em favor de semelhantes leis, não sendo a ninguém consentido apoiá-las com o próprio voto[19]. Isso não impede, como ensinou João Paulo II na Carta Encíclica Evangelium vitae sobre a eventualidade de não ser possível evitar ou revogar totalmente uma lei abortista já em vigor ou posta em votação, que “um parlamentar, cuja pessoal oposição absoluta ao aborto seja clara e por todos conhecida, possa licitamente dar o próprio apoio a propostas tendentes a limitar os danos de uma tal lei e a diminuir os seus efeitos negativos no plano da cultura e da moralidade pública”[20]
Neste contexto, há que acrescentar que a consciência cristã bem formada não permite a ninguém favorecer, com o próprio voto, a actuação de um programa político ou de uma só lei, onde os conteúdos fundamentais da fé e da moral sejam subvertidos com a apresentação de propostas alternativas ou contrárias aos mesmos. Uma vez que a fé constitui como que uma unidade indivisível, não é lógico isolar um só dos seus conteúdos em prejuízo da totalidade da doutrina católica. Não basta o empenho político em favor de um aspecto isolado da doutrina social da Igreja para esgotar a responsabilidade pelo bem comum. Nem um católico pode pensar em delegar a outros o empenho que, como cristão, lhe vem do evangelho de Jesus Cristo de anunciar e realizar a verdade sobre o homem e o mundo. 
Quando a acção política se confronta com princípios morais que não admitem abdicações, excepções ou compromissos de qualquer espécie, é então que o empenho dos católicos se torna mais evidente e grávido de responsabilidade. Perante essas exigências éticas fundamentais e irrenunciáveis, os crentes têm, efectivamente, de saber que está em jogo a essência da ordem moral, que diz respeito ao bem integral da pessoa. É o caso das leis civis em matéria de aborto e de eutanásia (a não confundir com a renúncia ao excesso terapêutico, legítimo, mesmo sob o ponto de vista moral), que devem tutelar o direito primário à vida, desde o seu concebimento até ao seu termo natural. Do mesmo modo, há que afirmar o dever de respeitar e proteger os direitos do embrião humano. Analogamente, devem ser salvaguardadas a tutela e promoção da família, fundada no matrimónio monogâmico entre pessoas de sexo diferente e protegida na sua unidade e estabilidade, perante as leis modernas em matéria de divórcio: não se pode, de maneira nenhuma, pôr juridicamente no mesmo plano com a família outras formas de convivência, nem estas podem receber, como tais, um reconhecimento legal. Igualmente, a garantia da liberdade de educação, que os pais têm em relação aos próprios filhos, é um direito inalienável, aliás reconhecido nas Declarações internacionais dos direitos humanos. No mesmo plano, devem incluir-se a tutela social dos menores e a libertação das vítimas das modernas formas de escravidão (pense-se, por exemplo, na droga e na exploração da prostituição). Não podem ficar fora deste elenco o direito à liberdade religiosa e o progresso para uma economia que esteja ao serviço da pessoa e do bem comum, no respeito da justiça social, do princípio da solidariedade humana e do de subsidariedade, segundo o qual “os direitos das pessoas, das famílias e dos grupos, e o seu exercício têm de ser reconhecidos”[21]. Como não incluir, enfim, nesta exemplificação, o grande tema da paz? Uma visão irénica e ideológica tende, por vezes, a secularizar o valor da paz; noutros casos, cede-se a um juízo ético sumário, esquecendo a complexidade das razões em questão. A paz é sempre “fruto da justiça e efeito da caridade”[22]; exige a recusa radical e absoluta da violência e do terrorismo e requer um empenho constante e vigilante da parte de quem está investido da responsabilidade política. 
 III. Princípios da doutrina católica sobre laicidade e pluralismo
5. Se, perante tais problemáticas, é lícito pensar em utilizar uma pluralidade de metodologias que reflectem sensibilidades e culturas diferentes, já não é consentido a nenhum fiel apelar para o princípio do pluralismo e da autonomia dos leigos em política, para favorecer soluções que comprometam ou atenuem a salvaguarda das exigências éticas fundamentais ao bem comum da sociedade. Por si, não se trata de “valores confessionais”, uma vez que tais exigências éticas radicam-se no ser humano e pertencem à lei moral natural. Não exigem, da parte de quem as defende, a profissão de fé cristã, embora a doutrina da Igreja as confirme e tutele, sempre e em toda a parte, como um serviço desinteressado à verdade sobre o homem e ao bem comum das sociedades civis. Não se pode, por outro lado, negar que a política deve também regular-se por princípios que têm um valor absoluto próprio, precisamente por estarem ao serviço da dignidade da pessoa e do verdadeiro progresso humano.
6. O apelo que muitas vezes se faz à “laicidade” que deveria guiar à acção dos católicos, exige uma clarificação, não apenas de terminologia. A promoção segundo consciência do bem comum da sociedade política nada tem a ver com o “confessionalismo” ou a intolerância religiosa. Para a doutrina moral católica, a laicidade entendida como autonomia da esfera civil e política da religiosa e eclesiástica – mas não da moral – é um valor adquirido e reconhecido pela Igreja, e faz parte do património de civilização já conseguido[23]. João Paulo II repetidas vezes alertou para os perigos que derivam de qualquer confusão entre esfera religiosa e esfera política. “São extremamente delicadas as situações, em que uma norma especificamente religiosa se torna, ou tende a tornar-se, lei do Estado, sem que se tenha na devida conta a distinção entre as competências da religião e as da sociedade política. Identificar a lei religiosa com a civil pode efectivamente sufocar a liberdade religiosa e até limitar ou negar outros direitos humanos inalienáveis”[24]. Todos os fiéis têm plena consciência de que os actos especificamente religiosos (profissão da fé, prática dos actos de culto e dos sacramentos, doutrinas teológicas, comunicação recíproca entre as autoridades religiosas e os fiéis, etc.) permanecem fora das competências do Estado, que nem deve intrometer-se neles nem, de forma alguma, exigi-los ou impedi-los, a menos de fundadas exigências de ordem pública. O reconhecimento dos direitos civis e políticos e a realização de serviços públicos não podem estar condicionados a convicções ou prestações de natureza religiosa da parte dos cidadãos.
Completamente diferente é a questão do direito-dever dos cidadãos católicos, aliás como de todos os demais cidadãos, de procurar sinceramente a verdade e promover e defender com meios lícitos as verdades morais relativas à vida social, à justiça, à liberdade, ao respeito da vida e dos outros direitos da pessoa. O facto de algumas destas verdades serem também ensinadas pela Igreja não diminui a legitimidade civil e a “laicidade” do empenho dos que com elas se identificam, independentemente do papel que a busca racional e a confirmação ditada pela fé tenham tido no seu reconhecimento por parte de cada cidadão. A “laicidade”, de facto, significa, em primeiro lugar, a atitude de quem respeita as verdades resultantes do conhecimento natural que se tem do homem que vive em sociedade, mesmo que essas verdades sejam contemporaneamente ensinadas por uma religião específica, pois a verdade é uma só. Seria um erro confundir a justa autonomia, que os católicos devem assumir em política, com a reivindicação de um princípio que prescinde do ensinamento moral e social da Igreja.
Intervindo nesta matéria, o Magistério da Igreja não pretende exercer um poder político nem eliminar a liberdade de opinião dos católicos em questões contingentes. Entende, invés – como é sua função própria – instruir e iluminar a consciência dos fiéis, sobretudo dos que se dedicam a uma participação na vida política, para que o seu operar esteja sempre ao serviço da promoção integral da pessoa e do bem comum. O ensinamento social da Igreja não é uma intromissão no governo de cada País. Não há dúvida, porém, que põe um dever moral de coerência aos fiéis leigos, no interior da sua consciência, que é única e unitária. “Não pode haver, na sua vida, dois caminhos paralelos: de um lado, a chamada vida ‘espiritual’, com os seus valores e exigências, e, do outro, a chamada vida ‘secular’, ou seja, a vida de família, de trabalho, das relações sociais, do empenho político e da cultura. O ramo, enxertado na videira, que é Cristo, leva a sua linfa a todo o sector da actividade e da existência. Pois todos os variados campos da vida laical fazem parte do plano de Deus, que quer que eles sejam como que o ‘lugar histórico’ onde se revela e se realiza o amor de Jesus Cristo para glória do Pai e serviço aos irmãos. Qualquer actividade, qualquer situação, qualquer empenho concreto – quais, por exemplo, a competência e a solidariedade no trabalho, o amor e a dedicação à família e à educação dos filhos, o serviço social e político, a proposta da verdade no ­âmbito da cultura – são ocasiões providenciais para um ‘constante exercício da fé, da esperança e da caridade’”[25]. Viver e agir politicamente em conformidade com a própria consciência não significa acomodar-se passivamente em posições estranhas ao empenho político ou numa espécie de confessionalismo; é, invés, a expressão com que os cristãos dão o seu coerente contributo para que, através da política, se instaure um ordenamento social mais justo e coerente com a dignidade da pessoa humana.
Nas sociedades democráticas todas as propostas são discutidas e avaliadas livremente. Aquele que, em nome do respeito da consciência individual, visse no dever moral dos cristãos de ser coerentes com a própria consciência um sinal para desqualificá-los politicamente, negando a sua legitimidade de agir em política de acordo com as próprias convicções relativas ao bem comum, cairia numa espécie de intolerante laicismo. Com tal perspectiva pretende-se negar, não só qualquer relevância política e cultural da fé cristã, mas até a própria possibilidade de uma ética natural. Se assim fosse, abrir-se-ia caminho a uma anarquia moral, que nada e nunca teria a ver com qualquer forma de legítimo pluralismo. A prepotência do mais forte sobre o fraco seria a consequência lógica de uma tal impostação. Aliás, a marginalização do Cristianismo não poderia ajudar ao projecto de uma sociedade futura e à concórdia entre os povos; seria, pelo contrário, uma ameaça para os próprios fundamentos espirituais e culturais da civilização[26] 
 IV. Considerações sobre aspectos particulares
7. Aconteceu, em circunstâncias recentes, que também dentro de algumas associações ou organizações de inspiração católica, surgiram orientações em defesa de forças e movimentos políticos que, em questões éticas fundamentais, exprimiram posições contrárias ao ensinamento moral e social da Igreja. Tais escolhas e alinhamentos, estando em contradição com princípios basilares da consciência cristã, não são compatíveis com a pertença a associações ou organizações que se definem católicas. Verificou-se igualmente, que certas revistas e jornais católicos em determinados países, por ocasião de opções políticas, orientaram os eleitores de modo ambíguo e incoerente, criando equívocos sobre o sentido da autonomia dos católicos em política, e não tendo em conta os princípios acima referidos. 
A fé em Jesus Cristo, que Se definiu a Si mesmo “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), exige dos cristãos o esforço de se empenharem mais decididamente na construção de uma cultura que, inspirada no Evangelho, reproponha o património de valores e conteúdos da Tradição católica. A necessidade de apresentar em termos culturais modernos o fruto da herança espiritual, intelectual e moral do catolicismo torna-se extremamente urgente e inadiável, até para se evitar o risco de uma diáspora cultural dos católicos. Por outro lado, a espessura cultural alcançada e a madura experiência de empenho político que os católicos, em diversos países, souberam exprimir, sobretudo nas décadas a seguir à segunda guerra mundial, não permite pô-los em nenhum complexo de inferioridade relativamente a outras propostas que a história recente mostrou serem fracas ou radicalmente falimentares. É insuficiente e redutivo pensar que o empenho social dos católicos possa limitar-se a uma simples transformação das estruturas, porque, não existindo na sua base uma cultura capaz de acolher, justificar e projectar as instâncias que derivam da fé e da moral, as transformações apoiar-se-iam sempre em alicerces frágeis.
A fé nunca pretendeu manietar num esquema rígido os conteúdos socio-políticos, bem sabendo que a dimensão histórica, em que o homem vive, impõe que se admita a existência de situações não perfeitas e, em muitos casos, em rápida mudança. Neste âmbito, há que recusar as posições políticas e os comportamentos que se inspiram numa visão utópica que, ao transformar a tradição da fé bíblica numa espécie de profetismo sem Deus, instrumentaliza a mensagem religiosa, orientando a consciência para uma esperança unicamente terrena que anula ou redimensiona a tensão cristã para a vida eterna.
Ao mesmo tempo, a Igreja ensina que não existe autêntica liberdade sem a verdade. “Verdade e liberdade ou se conjugam juntas ou miseramente juntas desaparecem”, escreveu João Paulo II[27]. Numa sociedade, onde a verdade não for prospectada e não se procurar alcançá-la, resultará também enfraquecida toda a forma de exercício autêntico de liberdade, abrindo-se o caminho a um libertinismo e individualismo, prejudiciais à tutela do bem da pessoa e da inteira sociedade.
8. A tal propósito, convém recordar uma verdade que hoje nem sempre é bem entendida ou formulada com exactidão na opinião pública corrente; a de que o direito à liberdade de consciência e, de modo especial, à liberdade religiosa, proclamado pela Declaração Dignitatis humanae do Concílio Vaticano II, está fundado sobre a dignidade ontológica da pessoa humana e, de maneira nenhuma, sobre uma inexistente igualdade entre as religiões e os sistemas culturais humanos[28]. Nesta linha, o Papa Paulo VI afirmou que “o Concílio, de modo nenhum, funda um tal direito à liberdade religiosa sobre o facto de que todas as religiões e todas as doutrinas, mesmo erróneas, tenham um valor mais ou menos igual; funda-o, invés, sobre a dignidade da pessoa humana, que exige que não se a submeta a constrições exteriores, tendentes a coarctar a consciência na procura da verdadeira religião e na adesão à mesma”[29]. A afirmação da liberdade de consciência e da liberdade religiosa não está, portanto, de modo nenhum em contradição com a condenação que a doutrina católica faz do indiferentismo e do relativismo religioso[30]; pelo contrário, é plenamente coerente com ela. 
 V. Conclusão 
9. As orientações contidas na presente Nota entendem iluminar um dos mais importantes aspectos da unidade de vida do cristão: a coerência entre a fé e a vida, entre o evangelho e a cultura, recomendada pelo Concílio Vaticano II. Este exorta os fiéis “a cumprirem fielmente os seus deveres temporais, deixando-se conduzir pelo espírito do evangelho. Afastam-se da verdade aqueles que, pretextando que não temos aqui cidade permanente, pois demandamos a futura, crêem poder, por isso mesmo, descurar as suas tarefas temporais, sem se darem conta de que a própria fé, de acordo com a vocação de cada um, os obriga a um mais perfeito cumprimento delas”. Queiram os fiéis “poder exercer as suas actividades terrenas, unindo numa síntese vital todos os esforços humanos, familiares, profissionais, científicos e técnicos, com os valores religiosos, sob cuja altíssima jerarquia tudo coopera para a glória de Deus”[31].

O Sumo Pontífice João Paulo II na Audiência de 21 de Novembro de 2002 aprovou a presente Nota, decidida na Sessão Ordinária desta Congregação, e mandou que fosse publicada. 
Roma, sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 24 de Novembro de 2002, Solenidade de N. S. Jesus Cristo Rei do Universo. 

Joseph Card. Ratzinger
Prefeito
Tarcísio Bertone, SDB
Arcebispo emérito de Vercelli
Secretário

[1] Carta a Diogneto, 5.5. Cfr. também Catecismo da Igreja Católica, n. 2240.
[2] João Paulo II, Carta Apost. Motu Proprio dada para a proclamação de São Tomás Moro, Padroeiro dos Governantes e dos Políticos, n. 1, AAS 93 (2001) 76-80.
[3] Ibid., n. 4.
[4] Cfr.Concílio Vaticano II, Const. Past. Guadium et spes, n. 31; Catecismo da Igreja Católica, n. 1915.
[5] Concílio Vaticano II, Const. Past. Guadium et spes, n. 75.
[6] João Paulo II, Exort. Apost. Christifideles laici, n. 42, AAA 81 (1989) 393-521. A presente Nota doutrinal refere-se obviamente ao empenho político dos fiéis leigos. Os Pastores têm o direito e o dever de propor os princípios morais também sobre a ordem social; “todavia, a participação activa nos partidos políticos é reservada aos leigos” (João Paulo II, Exort. Apost. Christifideles laici, n. 60). Cfr. também Congregação para o Clero,Directório para o ministério e a vida dos presbíteros, 31 de Março de 1994, n. 33. 
[7] Concílio Vaticano II, Const. Past. Guadium et spes, n. 76.
[8] Cfr. Ibid., n. 36.
[9] Cfr. Concílio Vaticano II, Decr. Apostolicam actuositatem, n. 7; Const. Dogm. Lumen gentium, n. 36 e Const. Past. Guadium et spes, nn. 31 e 43.
[10] João Paulo II, Exort. Apost. Christifideles laici, n. 42. 
[11] Nos últimos dois séculos, o Magistério pontifício várias vezes se ocupou das principais questões relativas à ordem social e política. Cfr. Leão XIII, Carta Enc. Diuturnum illud, ASS 14 (1881/82) 4ss; Carta Enc. Immortale Dei, ASS 18 (1885/86) 162ss; Carta Enc. Libertas praestantissimum, ASS 20 (1887/88) 593ss; Carta Enc. Rerum novarum, ASS 23 (1890/91) 643ss; Bento XV, Carta Enc. Pacem Dei munus pulcherrimum, AAS 12 (1920) 209ss; Pio XI, Carta Enc. Quadragesimo anno, AAS 23 (1931) 190ss. Carta Enc. Mit brennender Sorge, AAS 29 (1937) 145-167; Carta Enc. Divini Redemptoris, AAS 29 (1937) 78ss; Pio XII, Carta Enc. Summi Pontificatus, AAS 31 (1939) 423ss; Rádio-mensagens natalícias 1941-1944; João XXIII, Carta Enc. Mater et magistra, AAS 53 (1961) 401-464; Carta Enc. Pacem in terris, AAS 55 (1963) 257-304; Paulo VI, Carta Enc. Populorum progressio, AAS 59 (1967) 257-299; Carta Apost. Octogesima adveniens, AAS 63 (1971) 401-441.
[12] Cfr. João Paulo II, Carta Enc. Centesimus annus, n. 46, AAS 83 (1991) 793-867; Carta Enc. Veritatis splendor, n. 101, AAS 85 (1993) 1133-1228; Discurso ao Parlamento Italiano em sessão pública comum, n. 5, in:L’Osservatore Romano, 15 de Novembro de 2002.
[13] Cfr. João Paulo II, Carta Enc. Evangelium vitae, n. 22, AAS 87 (1995) 401-522.
[14] Cfr. Concílio Vaticano II, Const. Past. Guadium et spes, n. 76.
[15] Ibid., n. 75.
[16] Cfr. Ibid., nn. 43 e 75.
[17] Cfr. Ibid., n. 25.
[18] Ibid., n. 73.
[19] João Paulo II, Carta Enc. Evangelium vitae, n. 73.
[20] Ibid.
[21] Concílio Vaticano II, Const. Past. Guadium et spes, n. 75.
[22] Catecismo da Igreja Católica, n. 2304.
[23] Concílio Vaticano II, Const. Past. Guadium et spes, n. 76.
[24] João Paulo II, Mensagem para a celebração do Dia Mundial da Paz de 1991: “Se queres a paz, respeita a consciência de cada homem”, IV, AAS 83 (1991) 410-421.
[25] João Paulo II, Exort. Apost. Christifideles laici, n. 59. A citação interna é do Concílio Vaticano II, Decr.Apostolicam actuositatem, n. 4.
[26] João Paulo II, Discurso ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, in: L’Osservatore Romano, 11 de Janeiro de 2002.
[27] João Paulo II, Carta Enc. Fides et ratio, n. 90, AAS 91 (1999) 5-88.
[28] Cfr.Concílio Vaticano II, Decl. Dignitatis humanae, n. 1: “O Sagrado Concílio professa, em primeiro lugar, que o próprio Deus manifestou ao género humano o caminho por que os homens, servindo-O, podem ser salvos e tornar-se felizes em Cristo. Acreditamos que esta única verdadeira religião se verifica na Igreja Católica”. Isto não impede que a Igreja nutra um sincero respeito pelas várias tradições religiosas; pelo contrário, considera que nelas estão presentes “elementos de verdade e bondade”. Cfr. Concílio Vaticano II, Const. Dogm. Lumen gentium, n. 16; Decr. Ad gentes, n. 11; Decl. Nostra aetate, n. 2; João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 55, AAS 83 (1991) 249-340; Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Dominus Iesus, nn. 2. 8. 21, AAS 92 (2000) 742-765.
[29] Paulo VI, Discurso ao Sacro Colégio e aos Prelados Romanos, in: Insegnamenti di Paolo VI, 14 (1976) 1088-1089.
[30] Cfr. Pio IX, Carta Enc. Quanta cura, ASS 3 (1867) 162; Leão XIII, Carta Enc. Immortale Dei, ASS 18 (1885) 170-171; Pio XI, Carta Enc. Quas primas, AAS 17 (1925) 604-605; Catecismo da Igreja Católica, n. 2108; Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Dominus Iesus, n. 22.
[31] Concílio Vaticano II, Const. Past. Gaudium et spes, n. 43; Cfr. também João Paulo II, Exort. Apost.Christifideles laici, n. 59.

CATÓLICOS: EIS O SEGREDO PARA DERRUBARMOS O COMUNISMO NO BRASIL

Salve Maria Imaculada!

Para os mais céticos pode parecer exagero o título “católicos, eis o segredo para derrubarmos o comunismo no Brasil”; afinal, na teoria ele não foi estabelecido; entretanto, na prática, caminhamos a passos largos – uma corrida – para um regime socialista/comunista. Negar isso é ser um pobre coitado de um inocente útil que acha que tudo é teoria da conspiração, e não consegue enxergar que estamos caminhando para ser uma nova Cuba da vida – tão idolatrada, mas os grandes Comunistas não querem ir para lá – ou uma Venezuela. Estamos caminhando para um totalitarismo semelhante aos dos países citados, e, tristemente, porque não semelhante à China e Coreia do Norte.

O grande problema é que a população é cética. Não acredita em nada, não luta por nada, e fica assistindo televisão porque não tem mais nada para fazer. Normalmente, quem diz lutar por alguma coisa – como nas famosas manifestações que ocorreram pelo país – quem as organiza está lutando para ter mais Estado, mais autoridade do Estado. Ou seja, eles não lutam contra a ideologia socialista dos nossos governantes, eles só acham que o Governo brasileiro tem que ser mais e mais Comunista do que têm sido até o momento. Eles não lutam contra o câncer, eles querem que o câncer se espalhe pela nação com mais força. Essa é a realidade. E tristemente, o lugar onde o povo ainda fica sabendo de algo real, onde se denuncia, debate, e fala a verdade do governo, é a internet; porém esta corre o risco de não servir mais para nada com a aprovação do Marco Civil da Internet que, na prática, é censura.

Mas em meio a todo esse avanço Comunista no Brasil, o que fazer? Ainda existe algo que possamos fazer para derrubarmos o PT e sua corja comunista e termos um país livre – e quiça cristão-? Bom, nós nas vias humanas, nós podemos e devemos tomar o mesmo meio que eles: a cultura. Se eles se expandiram pelo Brasil tomando a cultura, propagando a mentira da ideologia esquerdista; nós, com toda a autoridade, podemos usar a mesma cultura para espalhar a VERDADE e os verdadeiros princípios da sociedade, o valor da família, etc. Apesar do Regime Militar ter cometido abusos, ele foi necessário no ponto de vista de impedir que o Comunismo adentrasse no Brasil como em vários países da época. O problema é que a tão criticada censura, só censurava obras de cunho de revolução armada, e não cultural. Se alguém compusesse uma música ou escreve um livro, por exemplo, incentivando o povo a pegar em armas na luta de classes, para tomar o poder, isso seria censurado. Mas quando um esquerdista usava de músicas, livros, novelas, para propagar a revolução na cultura (ex: destruição da família) isso não era censurado. Um grande exemplo disso são as novelas da Rede Globo que muito contribuíra – e contribuem – para a destruição da cultura cristã no Brasil. Usando dos meios culturais, destruindo os valores mais sólidos da sociedade brasileira – como a família-, a mesma sociedade foi perdendo força, e os ideólogos revolucionários ganhando força e terreno, e, por fim, tomaram o poder a mais de 10 anos e a cada ano a democracia se corrói.

Uma outra forma que foi muito usada foram as escolas e universidades. Na realidade você não estuda, você é um fantoche que age de acordo com o comando dos de cima (Governo). A revolução começou a muitos anos, mas hoje nós vemos claramente a doutrinação marxista nas escolas públicas e em boa parte das particulares. Você estuda o que o Governo quer. Ou melhor: você estuda o que é útil para o Governo. E, como não poderia ser diferente para um esquerdista, usando de mentira. Um grande exemplo dessa doutrinação é que assassinos como Che Guevara, nas escolas e universidades de hoje, são tidos como heróis do povo. Esses dias um primo meu que está no ensino médio veio falar de assuntos políticos comigo. Aí a criatura me abre a boca pra dizer quem um exemplo a se seguir é a Holanda. Nesses casos não tem nem como dialogar, só rir.

Um dos meios para tirarmos esse Comunismo maldito do nosso país é usar da cultura. Entretanto sabemos que é difícil. Boa parte da imprensa está “comprada”. A mídia em geral é amarrada. A Internet está sendo ameaçada. O que fazer? Bom, o caminho de fato é a cultura. Mas sabemos que a luta e o caminho será longo. Grandes homens como o Professor Olavo de Carvalho falam que para a Direita chegar no poder levará, no mínimo, bem no mínimo, uns 30 anos. Absurdo? Não, foi mais ou menos o tempo que a esquerda demorou para tomar o poder. Só que existe um pequeno problema... NÓS NÃO TEMOS 30 ANOS!

Nós Católicos temos um meio forte e eficaz para destruirmos o Comunismo e fazermos o nosso país ser um país santo. E nós não podemos ser negligentes com isso. Nós cremos em um Deus todo poderoso. Nós temos que pedir o auxílio de Deus. E Deus, nos deu uma Mãe, que é a Virgem Maria. A Virgem Maria que é a Rainha dos Anjos, a Senhora do Rosário, terrível como um exército em ordem de batalha (cf. Cântico dos cânticos 6,11). Só que o problema é que o povo além de ser cético na questão política, é também na questão espiritual. E se demoraremos 30 anos para tirar essa raça de Comunista pela cultura; unidos pela oração do Rosário/Terço (mas sem negligenciar a ação na cultura) conseguiremos grande êxito. O problema é que o povo quer só atacar o Governo, mas não vê que o Comunismo é também um castigo para nosso país que tanto ofende a Deus. E, você pode ter os homens mais letrados da face da terra no Brasil, que se nós não nos unirmos em oração, o Comunismo só avançará. Nós conseguiremos a vitória com o auxílio de Deus por meio da Virgem Maria.“porque, quanto menor for em sua alma a esperança de auxílio, tanto mais penosa é a ignorância daquilo de que se tem medo.” (Sabedoria 17,12)


Por mais que labutemos contra o Comunismo, só iremos nos fadigar, sem ver êxito. Entretanto, se labutarmos com as armas do Céu, ah! Meus irmãos e irmãs, iremos triunfar sobre qualquer ideologia do inferno. O Brasil será salvo pelo Rosário! Isto é um fato. Somos poucos? Sim, somos. Mas os poucos que quiserem topar essa cruzada de oração mariana em prol do nosso país, para que caia o Comunismo e triunfe o Imaculado Coração de Maria, vencerão com toda certeza. Se os especialistas dizem que demoraremos 30 anos, eu vos afirmo, com o Rosário venceremos muito mais rápido. Basta sermos católicos de verdade (vale lembrar que uma das formas que os esquerdistas, culturalmente, usam para ganhar poder é destruir os valores cristãos, de maneira especial o catolicismo. Basta ver que eles quiseram de uma maneira especial se infiltrar na Igreja para destruir por dentro, e mais ainda, fazer a revolução a partir dos meios católicos. Isso tem o nome de “Teologia ad Libertação” que é condenada pela Igreja. Mas sabemos que muitos estão em desobediência. E temos que reconhecer que o próprio PT nasceu das sacristias. Infelizmente.).

E para provar que com o Rosário venceremos guerras (inclusive a cultural) quero usar do livro “O Segredo do Rosário” escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort onde ele diz:

É quase impossível acreditar nas vitórias que o Conde de Simon de Montfort venceu contra os albigenses sob a proteção de Nossa Senhora do Rosário. Estas vitórias foram tão famosas que o mundo ainda não viu nada igual. Um dia ele venceu dez mil hereges com uma tropa de quinhentos homens e numa outra ocasião, venceu três mil com apenas trinta homens. Por fim, com oitocentos cavaleiros e mil homens de infantaria, ele expulsou o exército do Reis de Aragão que era composto de cem mil homens fortes, sendo que de seu lado perdera somente um cavaleiro e oito soldados!
Nossa Senhora também protegeu Alano de Lanvallay, um nobre bretão, de grandes perigos. Ele também estava a lutar pela fé contra os albigenses. Um dia quando se viu envolto por todos os lados pelos inimigos, Nossa Senhora deixou cair cento e cinquenta rochas sobre os inimigos e ele foi liberto de suas mãos. Outra vez, quando seu navio estava se afundando, e iria naufragar, a Santíssima Mãe fez surgir cento e cinquenta pequenas colinas sobre a água pelas quais ele conseguiu chegar á Bretanha com segurança.
Ele ergueu um mosteiro em Dinan para os religiosos de São Domingos, em ação de graças a Nossa Senhora por todos os milagres que ela operou a seu favor em resposta pela reza de seu Rosário diário. Ele tornou-se um religioso e morreu santamente em Orleans.
Otero era outro soldado bretão, de Vaucouleurs, que geralmente punha em fuga grupos inteiros de hereges ou ladrões sem qualquer ajuda, somente usando seu Rosário no braço ou no punho da espada. Uma vez, após tê-los combatido e vencido, seus inimigos admitiram que eles tinham visto sua espada brilhar e que outra vez tinha percebido que havia um escudo no braço, que tinha imagens de Nosso SENHOR e Nossa Senhora e dos santos. E este escudo o tornava invisível e lhe dava forças para atacar melhor.
Uma outra vez, ele venceu vinte mil hereges com apenas dez companhias sem perder um só soldado. Isto impressionou tanto o general do exército vencido que o próprio veio depois se encontrar com Otero; renunciou à heresia e declarou publicamente que ele o viu coberto de espadas de fogo durante o combate.
Cardeal Pierre
O Bem-aventurado Alano relata que um certo Cardeal Pedro, tinha por igreja titular Santa Maria, além do Tibério, era bom amigo de São Domingos e que tinha aprendido dele uma grande devoção ao Santíssimo Rosário. Gostou tanto que nunca cessava de tecer louvores e aconselhava a todos a abraçar esta devoção.
Eventualmente ele foi enviado como legado à Terra Santa com os cristãos que lutavam contra os sarracenos. Conseguiu convencer o exército cristão do poder do Rosário que eles todos começaram a rezá-lo pedindo o auxílio dos Céus para uma batalha que sabiam que estavam em desvantagem de número. Isto resultou em vitória para eles, pois três mil cristãos triunfaram sobre o exército inimigo, que contava cem mil soltados. Como vimos, os demônios temem e ficam oprimidos com o Rosário. São Bernardo diz que a Saudação Angélica os coloca em fuga e fez tremer o inferno.”

Vale lembrar que o próprio título de “Nossa Senhora do Rosário”, comemorado no dia 7 de Outubro, se dá justamente porque o Papa São Pio V convocou os fiéis para rezar o Rosário por ocasião de uma batalha. E como nos exemplos citados por São Luís, o exército inimigo era muito mais numeroso e forte, mas com o auxílio da Virgem Maria, o exército formado por cristãos venceu. O próprio São Pio V teve a visão da vitória antes mesmo de chegar a notícia, e deu o motivo da vitória à Nossa Senhora. Daí surge o título de Nossa Senhora das Vitórias, também conhecida como do Rosário.

E se a luta é contra o Comunismo, sabemos que só com o auxílio divino iremos vencer. Basta estudarmos as aparições de Nossa Senhora em Fátima (mensagem e contexto histórico). A Mãe de Deus, aparecendo para as três crianças, pede a consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração para que (a Rússia) se convertesse e não espalhasse pelo mundo os seus erros. E os erros da Rússia que Nossa Senhora aqui fala é justamente essa praga de Comunismo/Socialismo. E a Virgem pede para que todos rezem o Santo Terço todos os dias. Além de pedir que o povo se converta e faça penitência.

Ainda no contexto das aparições de Nossa Senhora em Fátima, um antídoto para se vencer o Comunismo, além do Terço ou Rosário, é a Comunhão reparadora. Clique aqui e saiba mais sobre a Comunhão reparadora pedida por Nossa Senhora.

É tão verdade e urgente que lutemos contra o Comunismo pela oração, que vemos que o povo fez pouco caso da aparição de Nossa Senhora, e o que houve? A Rússia não se converteu e os seus erros se espalharam pelo mundo todo. Olhem o mundo sob uma sociedade socialista. Um mundo vermelho. Não somente vermelho ideológico, mas vermelho de sangue inocente. E podemos analisar como verdadeiro o que disse a Virgem Maria em Fátima, não só pelo fato de não terem dado ouvidos a Ela e o Comunismo ter se espalhado, mas pelo simples analisar dos escritos de outros santos. Olhem só o que encontramos no Diário de Santa Faustina: “16.12.1936. Ofereci este dia pela Rússia; ofereci todos os meus sofrimentos e as minhas orações por esse pobre país. Depois da Comunhão Jesus me disse: Não posso suportar por mais tempo esse país; não Me tolhas as mãos, Minha filha. Compreendi que, se não fossem as orações das almas agradáveis a Deus, toda essa nação teria sido reduzida a nada. Oh! Como sofro por causa dessa nação que expulsou Deus das suas fronteiras.” (Diário de Santa Faustina, nº 818) – Vale lembrar aqui, que se a minha pessoa não está enganada, ainda não se tinha sido divulgada o conteúdo dos chamados “segredos de Fátima”, portanto, ela não sabia do que disse Nossa Senhora em Fátima. E aqui Deus já mostra na sua alma toda a reprovação por este país e pela ideologia por eles espalhadas pelo mundo. E se nós queremos vencer o Comunismo, e não sermos uma nação reduzida ao nada em castigo por retirarmos Deus das nossas fronteiras, não podemos ser negligentes, devemos lutar com as armas do Céu: a oração e a reparação. Santa Faustina diz que a Rússia não foi reduzida a nada por causa da oração das pessoas agradáveis a Deus. Nós estamos sendo reduzidos a nada aqui no Brasil, porque temos sido desagradáveis a Deus e não estamos nos convertendo. O Comunismo é um grande castigo, essa é que é a verdade. Ou a gente começa a dar ouvidos ao Céu, ou a gente continuará a definhar. Não acredita nas aparições e nos outros acontecimentos místicos? Ótimo! Continue lutando ideologicamente como fazem desde surgimento de tais doutrinas, e continue a perder a guerra... Não seja trouxa.

Também é bom salientar o seguinte: Santa Faustina rezou pela Rússia e teve essa revelação no ano de 1936. Você sabe a importância desta data para nós, povo brasileiro, lutarmos contra o Comunismo? Este foi o mesmo ano em que a Virgem Maria apareceu aqui no Brasil, no dia 6 de Agosto, na cidade de Pesqueira-PE, avisando o povo brasileiro, por meio de duas crianças, que o Comunismo adentraria no Brasil. Nossa Senhora afirmou que correria sangue no Brasil e que o que o povo deveria fazer para evitar os castigos eram (são): penitência e oração. Por mais inteligente que você seja, por mais livros que você tenha lido, se você quer mesmo vencer este mal, só existe a vida da conversão... Penitência e oração. Querer negar isso, nesta altura do campeonato, é definhar pelo orgulho. Nossa Senhora ainda disse nessa aparição que as devoções necessárias para evitar os males – dentre eles o Comunismo – eram (são): a devoção ao Coração de Jesus e ao dEla. E deixava claro que não bastava uma, mas sim as duas. Devemos ser devotíssimos do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria. E esta aparição está em conformidade com a aparição de Nossa Senhora em Fátima, em que Ela pede a consagração da Rússia e afirma que “por fim o Meu Imaculado Coração triunfará!”. Em Fátima foi pedido a já citada Comunhão reparadora e que se rezasse o Terço diariamente. Não seria isso um grande sinal de que para nós vencermos o Comunismo devemos Comungar frequentemente (e fazer a Comunhão reparadora nos primeiros sábados) e rezar ao menos o Terço diariamente. Além é claro de se rezar em público, nas praças, convidando o povo a se unir na oração, a conversão, a santidade. Nesta aparição em Pesqueira-PE, Nossa Senhora deixava claro que era preciso rezar; senão Seu Filho castigaria o país. Em um dado momento das aparições, foi perguntado à Nossa Senhora o porquê de Ela aparecer em um lugar de subida tão difícil. Ela docilmente respondeu que era para o povo romeiro fazer penitência. E aparecendo depois para Maria da Luz, Nossa Senhora lhe disse: Nunca mais me manifestarei aqui em Guarda e os três castigos não virão já, porque o povo está melhor; mas é necessário ainda rezar muito e fazer penitência" – E recomendou novamente a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Seu Imaculado Coração.

Sabemos que de 1936 para cá o povo não ouviu a voz da Virgem Santíssima, pelo contrário, se meteu e grandes ofensas à Nosso Senhor. Sabemos que o Brasil era um país católico, hoje, não passa de um país paganizado ou – sendo otimista ainda – em processo de paganização. Decidi escrever este texto para mostrar que não adianta muito a luta nos debates, estudos, cultura, se estivermos sem o auxílio dos Céus. E esse auxílio, já foi proposto por Nossa Senhora, é conversão, é a oração e a penitência. Por isso vemos que pouco efeito tem quando deputados até querem lutar contra o Comunismo, mas são a favor do que ofendem a Deus como: controle de natalidade por cirurgias, aborto, destruição da família, enfim. Ou a gente se converte, ou o Brasil será convertido em Cuba ou coisa pior. Disse e repito: O BRASIL SERÁ SALVO PELO ROSÁRIO! Por isso eu clamo para que os católicos obedeçam a voz de Deus e da Santíssima Virgem Maria, e não só gritem, mas rezem. Ecoem pelas ruas, vielas, praças, em todo canto, as Ave Marias que salvarão o nosso país. Se o pessoal da esquerda sai manifestando quebrando tudo, nós, como católicos, temos que sair para dobrarmos nossos joelhos no chão, com um Terço na mão, clamar o auxílio da Senhora do Rosário. Eis meus irmãos a forma que iremos ganhar a batalha!

Marcha da cidadania pela vida, Brasília, 2013
Precisamos montar grupos de pessoas que se reúnam para rezar por essa causa. Sim, urgentemente! Que se reúnam para rezar o Terço, Rosário ou mesmo as Mil Ave Marias. Mas que se reúnam e rezem. São Luís Maria Grignion de Montfort dizia: “A oração pública é muito mais poderosa do que a oração individual para apaziguar a ira de Deus e obter Sua Misericórdia. A Santa Madre Igreja, guiada pelo Espírito Santo, sempre tem intercedido com orações públicas em tempos de tragédia e sofrimentos públicos.” Precisamos parar com frescurinha de achar que tudo é crendice. O único recurso que temos é o mais poderoso: a intercessão da Virgem Maria para nos livrar deste castigo que Deus está a nos dar. Ou você passa a rezar, ou será mais um a afundar. Tenho um amigo no Facebook*, que organizando manifestações nas ruas do Rio de Janeiro, em apoio ao povo Venezuelano, rezou dois terços, um em cada ponto da cidade. Acho que é isso. Esse é o caminho. Devemos tomar consciência que o Brasil é uma terra consagrada à Nossa Senhora. O Brasil é propriedade da Imaculada Virgem Maria. E Ela só deixará o Brasil afundar na podridão do Comunismo se nós formos omissos em deixar. Ouçamos a voz da Mãe de Deus e avancemos contra as tropas infernais com o Terço na mão e as Ave Marias nos lábios e no coração. “O Santo Rosário é uma repetição de Ave-Marias, com as quais se pode bater, vencer e destruir todos os demônios do inferno”(São Padre Pio de Pietrelcina) “Os erros modernos serão destruídos pelo Rosário” (São Pio X)

Acho que seria no mínimo interessante a gente deixar de querer separar a religião católica da nossa luta política. Afinal, quem quer separar a todo custo os valores religiosos católicos da sociedade são os comunistas. Se os comunistas odeiam o Catolicismo, seria interessante você que se diz católico e é anti comunista, passar a agir como um católico. Por maior que seja a resistência que tenhamos, o Comunismo não vencerá se essa resistência for de um povo verdadeiramente católico. E a Maria da Luz, vidente de Nossa Senhora em Pesqueira-PE, morreu no dia 13 de Outubro de 2013, ano do início das grandes manifestações em que vemos o país caminhar para a desordem. E também, dia 13 de outubro é a data em que Nossa Senhora, em Fátima, se revelou como a Senhora do Rosário. Coincidência? Acho que é baita de uma providência para o povo recordar das aparições marianas e poder se converter antes do grande castigo.

E então, vai ou não vai se levantar um exército mariano com o Rosário na mão e que adora o Santíssimo Sacramento?


Salve Maria Imaculada!

São Padre Pio de Pietrelcina, rogai por nós!

Francesco Forgione nasceu em Pietrelcina, numa cidadezinha chamada Província de Benevento no dia 25 de maio de 1887. Era de uma família de camponeses e seus pais se chamavam Grazio Forgione e Maria Giuseppa Di Nunzio. A sua vocação foi percebida e experimentada por ele mesmo logo na sua infância tão sofrida, cheia de necessidades e em grande santidade, como foi a sua vida inteira. Entrou para o convento em 6 de janeiro de 1903 na ordem dos Capuchinhos¹ e ordenado sacerdote na Catedral de Benevento no dia 10 de agosto de 1910 e por motivo de doença, passou por alguns conventos até chegar ao Convento de San Giovanni Rotondo em 4 de setembro de 1916, onde permaneceu até a sua morte, no dia 23 de setembro de 1968.

Sua vida foi de intensa entrega a Deus e trabalho constante, atendia até quatorze horas seguidas de confissão, orava sem cessar, celebrava a Santa Missa com muito fervor e ainda era perseguido tanto pelos homens quanto pelo próprio demônio, que lhe aparecia para perturbá-lo, mas que nunca conseguiu vencê-lo, pois a missão que Deus tinha para este servo amado foi realizada até o extremo, prevalecendo assim a vontade de Deus.

Falar deste homem santo não é fácil, pois a sua santidade é um mistério de Deus e seu testemunho de vida arrastou e arrasta multidões de fiéis no mundo inteiro. A sua simplicidade e devoção fazem com que compreendamos que é possível alcanças a santidade, mesmo neste mundo tão chio de pecados e “atrações”.

Padre Pio carregava em seu corpo as chagas de Cristo Crucificado, sofria demasiadamente as dores do calvário, tinha que conviver com os estigmas que Deus lhe deu. Dentre muitos de seus carismas, Padre Pio tinha um muito especial que é a bilocação, que resulta na presença simultânea de uma pessoa em dois lugares diferentes.

Podemos perceber o poder de Deus neste santo homem em uma de suas tantas bilocações com o Bispo Dom Orione, que falou sobre o fenômeno que acontecia com Padre Pio: “Eu estava na Igreja de São Pedro em Roma, para assistir à celebração da beatificação de Santa Teresa. Também estava Padre Pio (apesar dele estar ao mesmo tempo em seu convento), eu o vi, ele estava sorrindo e estava vindo para mim pela multidão, mas quando eu estava perto, ele desapareceu”. Confirmando assim o dom especial que ele tinha. Esse é só um dos vários relatos que muitos contaram. Os milagres realizados por Padre Pio foram imensos de vários tipos como cura de doenças, sofrimentos, angústias, depressões, possessões e outros males, dentre os quais nos chama a atenção o de uma criança que tinha sofrido queimaduras graves, que atingiram até mesmo o seu stômago e o médico disse que não haveria o que fazer por ela. A mãe da menina começou a pedir que Padre Pio curasse a sua filha e sua prece foi atendida imediatamente, pois a criança, que estava no quarto, gritou para mãe, mostrando que não havia mais feridas em seu corpo. Quando a mãe da criança pergntou o que tinha acontecido, ela disse que o Padre Pio viera a curá-la.

Podemos nos questionar como pode uma graça tão grande em nosso meio, realizado pelo poder de Deus em seu filho tão amado, que era determinado a fazer aquilo que Deus queria que ele fizesse sem duvidar.

Mais fatos interessantes aconteciam quando Padre Pio orava, invocando o seu anjo da guarda e conversando com os anjos de guarda de outras pessoas. Ele dizia que nunca estamos sós, pois o nosso anjo sempre está ao nosso lado e podemos conversar com ele e com os outros anjos de guarda dos nossos irmãos. Ele dizia também que, se alguém quisesse falar com ele, era só enviar o seu anjo da guarda que ele escutaria, Um fato interessante que aconteceu foi o de um homem que morava na Califórnia e frequentemente pedia a seu anjo da guarda que, por piedade, levasse um importante recado ao Padre Pio.

Algum tempo depois esse homem foi confessar com Padre Pio, perguntando se o anjo da guarda havia lhe dado o recado. Padre Pio respondeu: Tu crês que sou “surdo”? E Padre Pio repetiu o que ele, poucos dias antes, havia dito ao seu anjo da guarda. Um outro fato foi o de um homem que falou para Padre Pio que não poderia vir vê-lo frequentemente, pois o seu salario não lhe permitia tais viagens longas e caras. Padre Pio responde: “Quem lhe disse que você precisa vir aqui? Você tem seu anjo da guarda, não tem? Você conte o que você quer, envia-o aqui, e você terá a resposta”.

Um outro carisma forte que Padre Pio tinha era um perfume que saía de seu corpo, dos objetos que ele tocava e de suas vestes. Por onde ele passava dava pra sentir tal aroma. A este carisma que alguns santos possuem, dá-se o nome de osmogenesia, e nós, o povo de Deus, podemos sentir e ver, compreendendo assim a santidade desses servos de Deus para que sirva de testemunho para a restauração do Seu povo.

O que este homem tinha de especial para atrair tantos dons e tantas pessoas? Podemos até nos questionar. Quando Maria disse: “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes lembrado de sua misericórdia”. É aí que está a resposta para tantos “pequenos” que se tornaram gigantes, assim como Davi, que com uma simples pedra derrotou o gigante Golias. Esses carismas que Padre Pio carregava não eram para benefício próprio, mas parao bem daqueles que Deus deseja resgatar, com um testemunho de vida e santidade.

Padre Pio fundou vários grupos de oração e a Casa Alívio do Sofrimento, um hospital moderno e bem estruturado, dando auxílio e cura aos doentes, pois sua vontade e disposição em ajudar os mais necessitados era grande, revelando para nós a sua paixão por Jesus Cristo crucificado e participando com Ele deste mistério de amor, celebrado na Santa Missa, onde se realiza todo calvário que Jesus passou e onde estão também todos os excluídos, os enfermos, os encarcerados e os aflitos.

Na canonização do Padre Pio em 16 de junho de 2002, o nosso amado Papa João Paulo II falou de sua admiração e alegria para com este santo de Deus dizendo: “São Pio de Pietrelcina apresenta-se assim diante de todos sacerdotes, religiosos e leigos como uma testemunho credível de Cristo e do Seu Evangelho. O seu exemplo e a sua intercessão estimulam todos a um amor cada vez maior a Deus e à solidariedade concreta para com o próximo, sobretudo para com os mais necessitados.

Meu irmão, após este pequeno e humilde artigo sobre a vida desse grande santo que serviu como seta indicando o caminho que leva a Jesus Cristo Ressuscitado, eu te convido a mergulhar ainda mais neste mistério da salvação, buscando conhecer profundamente o testemunho de vida de São Pio e sua intercessão diante do trono glorioso de Deus.

São Pio, rogai por nós.

Escrito por: Crícia Martins (fonte: Jornal Tempo de Deus, Ano VIII, Dezembro de 2006 – pag. 8).

* Com adaptações
¹ - Ordem dos Frades Menores Capuchinhos - OFM Cap. (Franciscanos)