A CONGREGAÇÃO CRISTÃ

O movimento das Congregações Cristãs surgiu entre os imigrantes italianos e americanos, e, no começo, restringia-se aos mesmos. Em 1910, Luigi Francescon, um italiano, trouxe a mensagem pentecostal, estabelecendo dois núcleos: um no Paraná, com membros de origem católica, em Santo Antônio, e outro em São Paulo, com membros de origem evangélica.
Em São Paulo e arredores, concentram-se cerca de 80% de todas as comunidades. Os congregacionalistas são conhecidos como “glórias”. Consideram-se perfeitos, superiores a todos os evangélicos, e pregam contra todas as outras denominações.
Para melhor conhecermos a Congregação Cristã do Brasil, é necessário analisarmos as suas doutrinas, à luz da Palavra de Deus, e, então, poderemos tirar as nossas conclusões.
Doutrinas
Passaremos a analisar algumas doutrinas da Congregação Cristã do Brasil, sempre refutando com a Espada do Espírito, a Palavra de Deus.
O Pastor
A Congregação Cristã não possui pastores como seus líderes. Possui apenas anciãos e diáconos. Não assalaria seus líderes. Para eles, não há pastor, senão Jesus Cristo. Os seus líderes não estudam, pois o Espírito Santo coloca na boca as palavras certas, no momento preciso, baseando-se em Mateus 10.19-20.
Contudo, as Sagradas Escrituras têm ensinamentos contrários a essas interpretações:
1) A Bíblia diz que Jesus constitui uns para pastores, outros para evangelistas, apóstolos, profetas e mestres.
Ef 4.11 - “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres,”.
2) Na Bíblia, a Palavra, pastor, tem alguns sinônimos: Bispo e Presbítero.
IPe 5.1-2 - “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e, ainda, co-participante da glória que há de ser revelada: Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade;”.
At 20.28 -“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.”
3) A Bíblia chama Jesus de Supremo Pastor; logo existem outros pastores.
IPe 5.4 - “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória”.
4) A Bíblia diz que digno é o trabalhador do seu salário.
ITm 5.18 - “Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário”.
O apóstolo Paulo recebia donativos.
Fp 4.15 - “E sabeis, também, vós, ó filipenses, que, no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo, no tocante a dar e receber, senão, unicamente vós outros;”.
Jesus ordenou que os que pregam, devem viver do Evangelho.
ICo 9.14 - “Assim, ordenou, também, o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho;”.
5) O Pastor não deve se envolver em negócios seculares.
IITm 2.4 - “Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou”.
6) Paulo exortou Timóteo a que se dedicasse ao estudo.
ITM 4.13 - “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino”.
IITm 2.15 - “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.
IITm 4.13 - “Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos”.
ITm 5.17 - “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários, os presbíteros que presidem bem; com especialidade, os que se afadigam na palavra e no ensino”.
Dessa forma, podemos concluir que, se não tivesse havido dedicação por parte dos primeiros pastores, através do estudo da Palavra, oração e consagração, dificilmente, muitos conhecimentos e revelações da Palavra estariam disponíveis para nós, hoje.
A Bíblia
Não aceitam toda a Bíblia. Dizem que devem se prender, apenas, aos quatro Evangelhos, e, principalmente, às palavras ditas diretamente por Jesus. Ora, Jesus Cristo não escreveu nenhum dos quatro Evangelhos; se não aceitam o que os apóstolos ou discípulos nos aconselham como inspirados por Deus, como crêem no que escreveram?
IITm 3.16 - “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,”.
O Dízimo
Para os adeptos da Congregação Cristã, a prática do dízimo está restrita ao cumprimento da Lei do Antigo Testamento, não se aplicando, dessa forma, aos crentes da atual dispensação.
Ora, o dízimo é anterior à Lei de Moisés.
Gn 14.18-20 - “Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; era sacerdote do Deus Altíssimo; abençoou ele a Abrão e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos. E, de tudo, lhe deu Abrão o dízimo”.
Gn 28.20-22 - “Fez, também, Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o Senhor será o meu Deus; e a pedra, que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente, eu te darei o dízimo”.
Jesus Cristo é sacerdote, para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
Hb 7.15-17 - “E, isto é, ainda, mais evidente, quando, à semelhança de Melquisedeque, se levanta outro sacerdote, constituído, não conforme a lei de mandamento carnal, mas segundo o poder de vida indissolúvel. Porquanto se testifica: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”.
E os elementos desse sacerdócio são o Pão, o Vinho e o Dízimo. A Bíblia, também, chama de ladrão aquele que não dá o dízimo, mas, mesmo sendo obrigação, promete bênçãos àquele que trouxer os dízimos e as ofertas.
Ml 3.8-10 - “Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição, sois amaldiçoados, porque, a mim, me roubais, vós, a nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar, sobre vós, bênção sem medida”.
A Pregação
Não admitem a pregação nas ruas. Jesus pregou na beira do mar, na montanha; pregava nas ruas, e Paulo nos alertou para aproveitarmos as oportunidades.
Cl 4.3-5 - “Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual, também, estou algemado; para que eu o manifeste, como devo fazer. Portai-vos com sabedoria, para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades”.
IITm 4.2 - “... prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina”.
Não existe limitação geográfica para a pregação do Evangelho; onde houver alguém que não conhece a Jesus; a esse, Jesus nos enviou.
A Oração
Esta seita deturpa as palavras de Filipenses, capítulo 2, versículo 10, que diz: “todo joelho se dobrará diante de Jesus”, e por isso, só fazem orações, de joelhos dobrados.
A Bíblia diz que devemos orar sem cessar, em todo tempo. Como conciliar, então, estes versículos com a doutrina de orar só de joelhos?
ITs 5.17 - “Orai sem cessar”.
Ef 6.18 - “... com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e, para isto, vigiando com toda perseverança e súplica, por todos os santos ...”.
Jesus orou na cruz.
Lc 23.33-34 - “Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda. Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes”.
O fariseu orou em pé e não foi atendido; o publicano também orou em pé, mas foi atendido. Porque não importa a posição física, mas Deus vê o coração.
Lc 18.11-14 - “O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem, ainda, como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado”.
Assim, os membros da Congregação Cristã do Brasil devem se sentir como ovelhas que não têm pastor. Ademais, os anciãos não se preparam, ou seja, não se dedicam ao estudo das Escrituras, lançando sobre o Espírito Santo toda e qualquer responsabilidade sobre aquilo que vão dizer à Igreja.
Também, por não aceitarem toda a Bíblia Sagrada como Palavra de Deus, estão rejeitando o próprio Deus.
Quando não aceitam o pagamento de dízimos, rejeitam, também, aquilo que Deus determinou para que o Evangelho tivesse a propagação necessária:
Ml 3.10 - “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida”.
Demonstram não estar preocupados com a Evangelização, pois não pregam nas praças, não se preparam, não semeiam, materialmente, como deviam. E ainda crêem que os que serão salvos, de uma maneira ou de outra, acabarão por chegar à Congregação Cristã.
São exclusivistas, só eles são os certos e chamam de irmãos apenas aos que fazem parte da Congregação Cristã do Brasil, ou sejam, aos “glórias”.
Conclusão
Como pudemos observar, à luz das Escrituras, estamos diante de seitas heréticas que estão preocupadas em deturpar as verdades da Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.
Os membros da Congregação Cristã do Brasil são ovelhas que não têm pastor. Não aceitam a Bíblia toda, dando peso apenas às palavras ditas por Jesus nos Evangelhos. Não pagam o dízimo, nem pregam o Evangelho, pois crêem que, de alguma forma, os que se salvarão, chegarão, um dia, à Congregação Cristã do Brasil. E, por fim, se dizem ser os únicos certos. Fique alerta!

As Riquezas da Igreja

O mundo de hoje, com certa hipocrisia, anda a interpretar livremente o Evangelho a seu bel prazer impondo fardos pesados nos outros e retirando os mais leves de cima de si. Não raras as vezes vemos pessoas dizendo que o Vaticano deveria vender seu patrimônio para matar a fome dos pobres enquanto esses mesmos não doam sequer 10 centavos para um mendicante nas ruas, sempre com o mesmo argumento de que “ele vai comprar droga”. Cabem, entretanto, algumas considerações acerca da riqueza da Igreja.
Primeiramente, conta-se uma história de que o Papa Paulo VI teria vendido sua tiara papal para simbolizar o despojamento das riquezas. Com o dinheiro obtido, esse Papa teria comprado comida para os pobres. No dia seguinte, a economia continuava igual, a desigualdade social não tinha diminuído e ninguém tinha se tornado mais rico por causa desse nobre ato. Os mesmos pobres que tinham saciado sua fome estavam novamente com fome nas ruas mendigando um prato de comida. É claro que esse ato do Papa foi um símbolo de humildade, mas sendo nós francos (e com todo respeito que devemos ter pelo Papa), qual foi a contribuição efetiva pra esse ato na mudança da vida das pessoas? Em termos materiais, nenhuma. Talvez reste hoje uma vaga lembrança na memória das pessoas sobre o Papa que vendeu sua tiara papal, mas penso que muito pouca gente se lembra disso ou já leu algo sobre.
O que esses céticos que tanto criticam a Santa Sé não sabem é que eles não têm a menor noção do real valor das coisas que estão no Vaticano e nem do que elas representam. Como um exemplo da estupidez materialista desses cético lembro que não é incomum ver pessoas divulgando a foto do Papa Emérito Bento XVI sentado em um trono, supostamente de ouro, que, se fosse vendido daria pra comprar comida pra milhões de famintos. Até hoje não sei se todo esse alarme por causa “do tal trono de ouro“ é tolice ou pura má-fé. A verdade é que o trono papal não é de ouro, mas sim de madeira recoberta por uma fina camada de bronze. Como diz o ditado, nem tudo o que reluz é ouro. O trono papal é amarelo dourado, mas não é de ouro e certamente não mataria a fome do mundo inteiro.
Em segundo lugar, o papel da Igreja é exercer a bondade e não resolver grandes mazelas sociais que estão totalmente fora de seu alcance. O que a Igreja pode fazer, e tem feito muito bem, é criar instituições caritativas e apelar aos mais ricos para que perdoem as dívidas dos mais pobres ou para que sejam caridosos. Não são raros os documentos papais que pedem a caridade às pessoas e não vou citá-los porque um texto não seria suficiente para tal. Outra contribuição da Igreja para resolver as mazelas da sociedade é defender os valores morais porque sem eles o coração se torna duro e a sociedade fria, incapaz de ajudar os mais necessitados. Por fim, a Igreja elaborou sua Doutrina Social que jamais foi colocada em prática em nenhum país, mas se fosse certamente diminuiria muito a pobreza.
Em terceiro lugar, mesmo que o Vaticano quisesse vender suas “riquezas” não poderia, mesmo porque a maior riqueza da Igreja são as pessoas e não seus tesouros. Diz um conto que certa vez um prefeito perverso pediu a São Lourenço, diácono da Igreja Primitiva, que lhe desse todas as suas riquezas para que a cidade pudesse enviá-las à Roma. De fato, a comunidade de São Lourenço era rica e ele, como diácono, administrava essa riqueza. São Lourenço teria então reunido todos os mendigos, doentes, viúvas e órfãos e, apresentando-os ao prefeito, teria dito: aqui estão nossas maiores riquezas. Enfurecido, o prefeito teria queimado São Lourenço vivo em um braseiro feito no chão. Dizem até que São Lourenço, dono de um humor típico de quem tem uma fé inquebrável, teria dito: vire-me do outro lado porque esse já está bem tostado. E assim morreu esse doutor da humildade, um dos maiores mártires da Igreja Católica. Quanto às riquezas materiais das quais dispõe o Vaticano atualmente, essas não podem ser vendidas porque são patrimônio da humanidade. Mesmo sendo consideradas peças caras as obras em poder da Igreja não tem valor efetivo nenhum, afinal, esse patrimônio não rende nada a ninguém. Em resumo, faz tanto sentido pedir que Roma venda seus “tesouros” quanto pedir a venda de tudo o que existe nos museus do mundo. Cabe aqui uma pergunta, intrigante aos hipócritas que defendem a igualdade social: quem compraria bens tão caros, segundo as palavras dos pseudo-socialistas, senão os grandes detentores do capital mundial? Quer dizer, essas pessoas defendem que os maiores ricos do mundo comprem os bens da Igreja tornando-se ainda mais ricos. Muito coerente!
Em quarto lugar, se quebrarem a maior instituição caritativa do mundo, quem ficará em seu lugar? Quem arcará com os milhares de orfanatos, hospitais, azilos e outras instituições beneficentes da Igreja? Os socialistas? Ou será que seriam os mesmos extra-terrestres que, segundo Richard Dawkins, teriam plantado a vida na terra? Talvez a Richard Dawkins Foundation pudesse fazer isso. Enfim, nossos especialistas em resolver as mazelas africanas não pensaram nesse detalhe (aliás, penso que nem saibam pensar de fato).
O que mais chama a atenção é que muitas pessoas que criticam os bens da Igreja nunca fizeram nada para mudar o mundo. Defendem regimes autoritários e assassinos que, muito distante de matar a fome dos pobres, deram a esses bastante companhia como em Cuba, por exemplo.
A verdade é que esse argumento de que a Igreja deveria vender seus bens casa-se perfeitamente com o pensamento ateísta militante, o mesmo presente nos países socialistas que levaram tantos cristãos ao fuzilamento pelo simples fato deles serem cristãos. Essa ideia de que a Igreja deveria vender tudo o que tem tenta esconder, no fim das contas, um profundo desejo de que Ela deixe de existir. Aos que têm tal desejo, eu sinto informar mas Deus assegurou que a Igreja estaria presente entre nós até o fim dos tempos. Ela é uma força contra a qual não adianta lutar porque é o próprio Deus quem a manteve. Todas as tentativas de derrubá-la foram inúteis, leiam a história e vocês verão isso. Matem os cristãos e o sangue deles irrigará o terreno de onde nascerão novos mártires. Fechem Igrejas e os cristãos se reunirão até nos esgotos. Prendam nossos bispos e eles celebrarão a Santa Missa nas cadeias usando o próprio peito como altar. Se você que é contra a Igreja pretende perseguir os cristãos, saiba que para nós essa vida não é nada. Como disse São Paulo, viver para nós é Cristo e morrer é lucro. Para o verdadeiro cristão nada se compara à alegria do Céu, nem mesmo os maiores prazeres terrenos.

É triste ver o estado das pessoas cegas com o próprio ódio. Os mesmos que dizem que “o amor é sua religião” ou que “se unem pelo amor ao contrário dos cristãos que se unem pelo ódio” manifestam um ódio mortal pelo cristianismo e pelos seus seguidores. Entretanto, nós cristãos devemos continuar nossa caminhada de 2000 anos amando nossos inimigos e sufocando o ódio deles com a Misericórdia de Deus.

Liberdade, Justiça, Amor ao Próximo e Misericórdia

Ao ler um texto do Papa João Paulo II, o grande Papa da paz, lembrei-me de um antigo chavão que circulava entre as escolas pelas quais passei durante os ensinos fundamental e médio. Aquele chavão era necessário e os professores foram muito sábios em divulgá-lo porque com ele aprendemos o que era a liberdade bem no tempo em que revogávamos para nós esse atributo sem conhecermos exatamente o que era. O chavão era: há uma grande diferença entre liberdade e libertinagem.
Naquela concepção, tínhamos a impressão de que a liberdade era poder fazer tudo o que quiséssemos sem nenhuma influência. Entretanto, onde é que não há influência? Somos influenciados por tudo, pela mídia, pela educação que recebemos de nossos pais, pelo ensino dado nas escolas, etc. Enfim, na atual conjuntura das coisas acho impossível o ser humano não ter influencia de ninguém ou nada, afinal, não se pode negar a forte influência que recebemos do meio que por sua vez forma quem somos. Se não somos influenciados pelo meio conservador, somos influenciados pelo meio revolucionário. Em ambas situações somos influenciados de forma tal que não se pode dizer por isso que somos livres.
Então, o que dizer da liberdade? Existiria alguma liberdade?
A resposta é simples: a liberdade está no ato de escolha. Eu sou livre pra escolher que influência eu terei. Sou livre para discordar das influências e livre para, a partir de outras influências, tentar melhorar minha vida.
Liberdade não é sair fazendo o que se bem entende. A liberdade existe apenas para se praticar o bem, do contrário, com justa razão recebe a prisão quem usa mal sua liberdade. Portanto, é útil pensar que só temos liberdade para fazer aquilo que não agrida a liberdade de outros, ou melhor, para fazer aquilo que gostaríamos que fizessem por nós.
Nisso consiste o amor: fazer pelo próximo o que desejamos que ele faça por nós. Nisso também consiste a verdadeira justiça, a justiça com misericórdia que é indulgente para com os arrependidos. Se erramos, desejamos que todos sejam indulgentes conosco. Ora, se assim é, devemos ser indulgentes com todos os que se arrependem de terem feito o mal. É essa a justiça perfeita.
Certa vez um amigo me chamou a atenção para um fato interessante: não devemos nos zangar com o próximo pelo fato dele ter pecados diferentes dos nossos. Quer dizer, pecados todos temos, então, porque somos tão indulgentes com nossos próprios erros e não toleramos os menores deslizes de nossos semelhantes?
A verdadeira paz depende de tudo isso, da liberdade, da justiça, do amor ao próximo e da misericórdia. Entretanto, não devemos nos enganar porque há uma paz assassina e pacifista que ronda nossa sociedade. O fato de eu dever amar ao próximo não significa que eu não deva aplicar a ele a justiça, porque, do contrário, em nada estou colaborando para o crescimento pessoal dele.
Na justa medida, é perfeitamente aceitável a aplicação de penas para punir e fazer refletir quem erra, bem como para isolar um malfeitor da sociedade que pode se tornar uma vítima de seus criminosos. Não se trata aqui de aplicar a pena de morte a quem rouba uma caixa de fósforos, porque isso seria a justiça sem misericórdia, ou seja, seria uma justiça absurda e implacável.
Trata-se, pois, de aplicar penas justas aos indivíduos que erram visando retirar o risco da sociedade enquanto o indivíduo se reabilita para ingressar nela novamente.

A grande arte da vida é encontrar o equilíbrio, porque medidas extremas sob aspecto de liberdade só escravizam o ser humano. Como disse o poeta, “disciplina é liberdade”, entretanto, não há disciplina no terrorismo e nem na inquietação exacerbada. Ao contrário, as pessoas extremamente inquietas são pessoas doentes, que já perderam o sossego na vida e procuram desesperadamente uma solução sem encontrá-la. São pessoas que já não ligam para a dor alheia, para o próximo e para a sociedade e muito dificilmente conseguirão fazer algo útil para alguém. Precisamos, pois, de mais Cristos e de menos revolucionários.

Dia do Senhor: Sábado ou Domingo?

Todos sabem que no AT, o Senhor instituiu o Sábado como o Seu dia de adoração. Mas resta a pergunta: por que? Para entendermos o motivo deste mandamento divino, devemos responder às seguintes perguntas: 1) Por que Deus instituiu um dia para o Seu culto? 2) Por que o Sábado (Shabath) foi escolhido para ser este dia?
A resposta para a primeira pergunta encontramos no livro do Deuteronômio, onde lemos: "Lembra-te de que foste escravo no Egito, de onde a mão forte e o braço poderoso do teu Senhor te tirou. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou observasses o dia do sábado" (Dt 5,15).
Como vemos a observância de um dia de adoração está relacionada à libertação que o Senhor proporcionou ao povo Hebreu, quando o tirou do cativeiro no Egito. Deus manifesta-se como o libertador de Seu povo, manifestando todo o Seu Poder e Glória, como verificamos no envio das pragas (cf. Ex 8;9;10;11) e depois ao separar o Mar Vermelho (cf. Ex 14,21-31) para que Israel pudesse finalmente se ver livre do julgo do Faraó.
O Deus libertador é aquele que guia o Seu Povo à Terra Prometida. Devemos perceber aqui que a libertação promovida pelo Senhor da escravidão do Egito é prenúncio da libertação que Cristo posteriormente promoverá da escravidão do pecado, nos conduzindo à Jerusalém Celestial.
Quanto à segunda pergunta, a resposta encontramos no livro do Êxodo: "Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou" (Ex 20,11; cf. Gn 2,3).
Por esta razão no dia da libertação, o homem também deveria livrar-se do trabalho secular (cf. Am 8,5; Ex 34,21; 35,3; Ez 22,8; Jr 17,19-27; Dt 5,12-14); no dia em que Deus manifestou o Seu Amor pelo povo, o povo também manifestaria o seu amor por Ele (Lv 23,3; Lv 24,8; 1Cr 9,32; Nm 28,9-10; Is 1,12s). Isto lembra as palavras de São João: ?Nós amamos, porque Deus nos amou primeiro? (1 Jo 4,19).
Depois do que foi exposto, podemos identificar a dupla raiz da instituição do Dia de Adoração:
1)  O dia da salvação do povo de Deus conforme Dt 5,15;
2)  O dia da plenitude da criação cf. Ex 20,11; pois o Senhor cessou o seu trabalho (a criação do mundo) no sétimo dia, por que ele foi terminado no sexto dia. Deus não se cansa, caso contrário não seria Deus. O "descanso" ou "repouso" de Deus refere-se à cessão do Seu Divino trabalho. Shabath (Sábado) significa "cessão", "término de alguma atividade". Por isso, o Sétimo Dia também é o dia da Plenitude da Criação e não do "descanso" de Deus.
Jesus, o Sábado e o Domingo
Com o passar do tempo, os Judeus deturparam a observância do Sábado. Eles se esqueceram das raízes espirituais desta divina observância, e se prenderam apenas à letra.
Na época de Jesus, 39 tipos de trabalho eram proibidos. Entre eles colher espigas (cf. Mt 12,2), carregar fardos (Jo 5,10), etc. Os doentes só podiam ser atendidos em perigo iminente de morte, motivo pelo qual se opuseram a Jesus, que curava aos sábados (cf. Mt 12,9-13; Mc 3,1-5; Lc 6,6-10; 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-16; 9,14-16).
O Senhor contra os fariseus afirmou: "O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado" (Mc 2,27). Por isso, declarou que era o Senhor do Sábado (Mc 2,28) e foi incriminado pelos doutores da Lei (Jo 5,9), ao que respondeu que nada mais fazia senão imitar o Pai que, mesmo tendo cessado a criação do mundo, continuou a governá-lo e também aos homens (Jo 5,17).
Alguns cristãos acreditam que neste momento Jesus estava abolindo a observância do Sábado. Os sabatistas contra-argumentam dizendo que não; que Jesus estava era resgatando o sentido espiritual (a verdadeira raiz) desta divina observância. E neste ponto eles estão com toda razão.
Entretanto, os sabatistas enganam-se em pensar que a divina observância do Dia de Adoração, estaria para sempre fixada no Sábado.
Eles argumentam que o Sábado é perpétuo. Se isto fosse verdade, significaria que toda Lei Levítica (circuncisão, páscoa, incenso, sacerdócio, etc) também seria perpétua. Por exemplo, em Ex.12:14 está declarado que a páscoa terá de ser observada "por suas gerações" e "para sempre", exatamente como é dito sobre o Sábado. A oferta de incenso também é dita como perpétua (Ex.29:42). Lavagem de mãos e pés também (Ex.30:21).
Quando o Senhor afirma que o Sábado é perpétuo, não está se referindo à fixação do sétimo dia como dia de Adoração, mas refere-se ao Seu acordo, à Sua fidelidade para com a humanidade.
É o próprio Deus que através dos Profetas do AT anuncia que Seu Acordo se dará de uma nova forma: "Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados" (Jr.31:31-34) (grifos meus).
O pacto da Antiga Aliança seria substituído por um Novo, onde o primeiro foi apenas uma figura do segundo que é Eterno (cf. Hb 9 ). Neste Novo pacto, o Senhor instituiria um novo dia para Sua Adoração, pois em um novo dia Ele iria salvar o seu Povo para sempre, conforme profetizou Oséias: "Farei em favor dela [Sua nova nação, a Igreja], naquele dia, uma aliança, com os animais selvagens, com as aves do céu e com os répteis da terra: farei desaparecer da terra o arco, a espada e a guerra e os farei repousar em segurança. Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor. Desposar-te-ei com fidelidade, e tu conhecerás o Senhor" (OS 2,20-22) (grifos meus).
O Senhor Jesus não aboliu a observância do Sábado em seu debate com os fariseus. Ele o fez após cumprir o anúncio dos Profetas, morrendo na Cruz e ressuscitando no primeiro dia da semana: Domingo.
Na Antiga Aliança, o Sábado foi estabelecido como o Dia de Adoração, pois foi o Dia da Libertação (cf. Deut 5,15) e o Dia da Plenitude da Criação (cf. Ex 20,11).
Na Nova e Eterna Aliança, o Domingo é estabelecido como o Novo Dia de Adoração, pelas mesmas razões: é o Dia em que o Senhor nos salvou do cativeiro do pecado e o Dia em que ressurgindo da Mansão dos Mortos, cessou o trabalho em Sua nova Criação (a natureza humana incorruptível). Desta forma, o Domingo também é o Dia da Libertação e da Plenitude da Criação.
A própria carta aos Hebreus acentua a índole figurativa do sábado, afirmando que o repouso do sétimo dia era apenas uma imagem do verdadeiro repouso que fluiremos na presença de Deus (cf. Hb 4,3-11). Onde no Sábado estava a figura (o prenúncio), no Domingo está a concretização. O Domingo é o Sábado eterno.
O Testemunho de Cristo, dos Apóstolos e do Espírito Santo
Jesus aparece à primeira vez aos Apóstolos no domingo, no dia da Ressurreição. Imaginem a alegria que os Apóstolos sentiram ao ver o Senhor Ressuscitado! Sobre isto escreveu o Salmista: "A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça da esquina. Foi o Senhor que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos. Este é o dia que fez o Senhor; regozijem-nos e alegremo-nos nele" (Sl 118,22-24). Ora, Jesus se tornou a Pedra Angular no dia em que Ressucitou, o dia da Ressurreição "foi o Dia que o Senhor fez".
Conforme o Profeta Jeremias, em Seu novo pacto, o Senhor promete escrever a Sua Lei no interior e no coração dos homens. E conforme Ozéias, no dia em que isto acontecer, os homens O conhecerão. Ora, isto se cumpre exatamente num Domingo, quando o Espírito Santo é dado aos Apóstolos (cf. Jo 20,19-23; At 2,1-4); pois é o Espírito Santo que nos convence da vontade de Deus.
A segunda aparição do Senhor aos discípulos não é no Sábado, mas no novo "dia que o Senhor fez" (cf. Sl 118,24), isto é, no Domingo (cf. Jo 20,26), dia em que Tomé o adora como Deus (cf. Jo 20,29). Talvez temos aqui a primeira adoração cristã a Deus no dia de Domingo.
O Culto Cristão acontece no domingo (cf. At 20,7; 1Cor 16,2). Os Sabatistas alegam que a "Ceia do Senhor" não era uma reunião de culto. A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios mostra claramente que a reunião da "Ceia do Senhor" era uma reunião de culto. Basta verificar os capítulos 11 a 16.
No entanto muitos cristãos se viam tentados a judaizar, isto é, a observar as prescrições da Lei Mosaica. Os Gálatas era um exemplo e por causa deles São Paulo dirige-lhes uma epístola exatamente para tratar desta questão. E vejam a bronca que o Apóstolo dá neles: "Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi apresentada a imagem de Jesus Cristo crucificado? Apenas isto quero saber de vós: recebestes o Espírito pelas práticas da lei ou pela aceitação da fé? Sois assim tão levianos? Depois de terdes começado pelo Espírito, quereis agora acabar pela carne?" (Gl 3,1-3).
Quem ainda duvidar de que São Paulo também estava se referindo à observância do Sábado, então veja o que ele escreveu aos Colossenses: "Que ninguém vos critique por questões de comida ou bebida, pelas festas, luas novas ou sábados. Tudo isso nada mais é que uma sombra do que haveria de vir, pois a realidade é Cristo" (Cl 2,16-17) (grifos meus).
São Paulo confirma que o Antigo acordo (que incluía a observância do Sábado) foi substituído pelo Novo acordo cumprido pela Morte e Ressurreição do Senhor Jesus (que inclui agora o Domingo como o Dia do Senhor).
Mais uma confirmação Bíblica de que o Domingo é o Dia do Senhor, está no Livro do Apocalipse. Em Ap 1,10 São João escreve: "Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta". A expressão que no português está como "num domingo" no original grego está "té kyriaké hémerà", que significa "No Dia do Senhor". Ora, aqui São João está dizendo que no Domingo, que é Dia do Senhor, Deus lhe deu uma revelação. Se o Domingo não é o Dia do Senhor, por que São João assim o indicou no Livro do Apocalipse?
Testemunhos dos primeiros cristãos
A Igreja do período pós-Apostólico, também confirmou a doutrina do Novo Dia de Adoração que recebeu dos Apóstolos. Vejamos alguns exemplos:
"Reúnam-se no dia do Senhor [= dominica dies = domingo] para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro" (Didaqué 14,1 - primeiro catecismo cristão, escrito no séc. I, mais precisamente no ano 96 dC) (grifos meus).
Santo Inácio, Bispo de Antioquia, que segundo a Tradição foi a criança que Cristo pegou no colo em Mc 3,36, também confirma a Doutrina Apostólica do Domingo: "9. Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábadomas o dia do Senhor, em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte. Alguns negam isso, mas é por meio desse mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre. Como podemos viver sem aquele que até os profetas, seus discípulos no espírito, esperavam como Mestre? Foi precisamente aquele que justamente esperavam, que ao chegar, os ressuscitou dos mortos. 10. Portanto, não sejamos insensíveis à sua bondade. Se ele nos imitasse na maneira como agimos, já não existiríamos. Contudo, tornando-nos seus discípulos, abraçamos a vida segundo o cristianismo. Quem é chamado com o nome diferente desse, não é de Deus. Jogai fora o mau fermento, velho e ácido, e transformai-vos no fermento novo, que é Jesus Cristo. Deixai-vos salgar por ele, a fim de que nenhum de vós se corrompa, pois é pelo odor que sereis julgados. É absurdo falar de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo judaizar. Não foi o cristianismo que acreditou no judaísmo, e sim o judaísmo no cristianismo, pois nele se reuniu toda língua que acredita em Deus " (Carta de Santo Inácio de Antioquia aos Magnésios. 101 d.C.) (grifos meus).
Como se vê o discípulo pessoal de São Paulo confirma a doutrina que recebeu do Mestre, conforme este mesmo expôs aos Gálatas (Gl 1;3) e aos Colossenses (Cl 2,16-17).
Outro testemunho do séc II sobre o Domingo é de Justino de Roma, vejamos:
"67. Depois dessa primeira iniciação, recordamos constantemente entre nós essas coisas e aqueles de nós que possuem alguma coisa socorrem todos os necessitados e sempre nos ajudamos mutuamente. Por tudo o que comemos, bendizemos sempre ao Criador de todas as coisas, por meio de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo. No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as Memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: ?Amém?. Vem depois a distribuição e participação feita a cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes pelos diáconos. Os que possuem alguma coisa e queiram, cada um conforme sua livre vontade, dá o que bem lhe parece, e o que foi recolhido se entrega ao presidente. Ele o distribui a órfãos e viúvas, aos que por necessidade ou outra causa estão necessitados, aos que estão nas prisões, aos forasteiros de passagem, numa palavra, ele se torna o provedor de todos os que se encontram em necessidade. Celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol, ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame" (Justino de Roma 155 d.C, I Apologiacap 67) (grifos meus).
No tempo de Justino os cristãos eram ferozmente perseguidos e acusados das mais variadas calúnias. Justino que era responsável por uma escola de estudos bíblicos, escreve uma apologia (defesa) ao Imperador em favor dos cristãos. Por isso, ele ao se referir ao domingo utiliza a expressão "dia do sol", pois era no primeiro dia da semana que os pagãos adoravam o sol.
Podemos verificar aqui mais uma vez que a "Ceia do Senhor" não era uma mera reunião de confraternização, mas uma celebração de culto a Deus.
Ainda do segundo século temos o testemunho do advogado cristão Tertuliano, que escreveu muitas obras para as autoridades romanas em defesa dos cristãos perseguidos:
"Outros, de novo, certamente com mais informação e maior veracidade, acreditam que o sol é nosso deus. Somos confundidos com os persas, talvez, embora não adoremos o astro do dia pintado numa peça de linho, tendo-o sempre em sua própria órbita. A idéia, não há dúvidas, originou-se de nosso conhecido costume de nos virarmos para o nascente em nossas preces. Mas, vós, muitos de vós, no propósito às vezes de adorar os corpos celestes moveis vossos lábios em direção ao oriente. Da mesma maneira, se dedicamos o dia do sol para nossas celebrações, é por uma razão muito diferente da dos adoradores do sol. Temos alguma semelhança convosco que dedicais o dia de Saturno (Sábado) para repouso e prazer, embora também estejais muito distantes dos costumes judeus, os quais certamente ignorais" (Tertuliano 197 d.C. Apologia part.IV cap. 16) (grifos meus).
Tertuliano como escreve para os pagãos, também se refere ao primeiro dia da semana como "o dia do sol". Ele é testemunha que nestes dia os cristãos não adoravam o sol, mas a Cristo.
Do terceiro século temos o testemunho de Hipólito de Roma, que também confirma a Tradição Apostólica de celebrar o culto cristão no Domingo: "No domingo pela manhã, o bispo distribuirá a comunhão, se puder, a todo o povo com as próprias mãos, cabendo aos diáconos o partir do pão; os presbíteros também poderão parti-lo. Quando o diácono apresentar a eucaristia ao presbítero, estenderá o vaso e o próprio presbítero o tomará e distribuirá ao povo pessoalmente. Nos outros dias, os fiéis receberão a eucaristia de acordo com as ordens do bispo" (Hipólito de Roma 220 d.C Tradição Apostólica part III) (grifos meus).
Conclusão
A fundadora do Adventismo do Sétimo Dia, a senhora Ellen G. White, afirmava em seus escritos que a instituição do Domingo como dia do Senhor, era invenção do Papado, e quem observasse este dia com Dia do Senhor receberia a marca da Besta. Por esta razão alguns Adventistas (acreditando mais na senhora White do que na Bíblia, nos Apóstolos, no Espírito Santo e nos cristãos dos primeiros séculos) têm procurado fundamentar esta afirmação pesquisando onde o Papado teria feito tal instituição.  O melhor que fizeram até agora foi afirmar que o Papado substituiu o Dia do Senhor de Sábado para Domingo durante o Concílio de Laodicéia na Frigia, realizado em 360.
O Concílio de Laodicéia apenas confirmou a doutrina apostólica da observância do Domingo contra os cristãos judaizantes. Este Concílio não foi Geral, mas Local, e por esta razão, não envolveu o Bispo de Roma e nem tinha o poder de alcançar a Igreja inteira espalhada pelo mundo.
Devemos lembrar que os decretos contra os cristãos judaizantes foram instituídos pelos Apóstolos durante o Concílio de Jerusalém (cf. At 15). Conforme já expomos, estes decretos não favoreciam a observância do Sábado como Dia do Senhor.
Os Bispos de Jerusalém sempre foram fiéis a estes decretos, conforme podemos observar no testemunho de São Cirilo, Bispo de Jerusalém: "Não ceda de forma alguma ao partido dos Samaritanos, ou aos Judaizantes: por Jesus Cristo de agora em diante foste resgatado. Mantenha-se afastado de toda observância de Sábados, sobre o que comer ou como se purificar. Mas abonime especialmente todas as assembléias dos perversos heréticos" (São Cirilo de Jerusalém. Carta 4, 37) (grifos meus).
Então, devemos ficar com o testemunho de Ellen G. White ou com o testemunho de Jeremias, Oséias, Jesus, Espírito Santo, dos Apóstolos e dos primeiros cristãos?

Fonte:

http://www.veritatis.com.br/apologetica/protestantismo/631-dia-do-senhor-sabado-ou-domingo

Há salvação fora da Igreja Católica?

 Uma recente polêmica que vem esquentando a rede social Facebook motivou esse texto. A polêmica ocorreu por causa de algumas declarações do vocalista da banda de rock católico Rosa de Saron, Guilherme de Sá, as quais o Padre Paulo Ricardo respondeu em forma de um vídeo condenando as frases do cantor como sendo heréticas. Em outras vezes já cometemos erros no Apostolado São Clemente Romano em julgar apressadamente as pessoas, mas é evidente que o vocalista dessa banda precisa esclarecer melhor o que ele disse porque, afinal de contas, ficou mesmo confuso, muito embora em sua defesa ele tenha citado a Encíclica Redemptoris Missio do Papa João Paulo II.
A questão polêmica é sobre o dogma, em princípio enunciado por São Cipriano de Cartago que diz “extra Ecclesiam nulla salus” (não há salvação fora da Igreja Católica). Entretanto, essa declaração forte do bispo de Cartago, um grande orador que viveu no século III, tem também que ser interpretada para que não se cometam equívocos como muitas pessoas realmente fazem. Primeiramente é mister dizer que a verdade é que a doutrina da Igreja não muda, ou seja, aquilo que era dogma há 2000 anos continua sendo dogma hoje e, portanto, a afirmação desse santo (que foi elevada a dogma) vale para os dias atuais. Também Santo Agostinho, o grande bispo e doutor de Hipona se posicionou em defesa desse dogma e assim sendo nada nos resta a não ser concordar com ele. Cabe aqui, entretanto, esclarecer 1) o que é Igreja Católica e 2) o que é o dogma em questão e o porquê das coisas serem assim.
É importante dizer que Igreja Católica não é uma mera instituição como foi difundido pela cultura moderna, especialmente após a Reforma Protestante como uma via de desmoralizar a Igreja. A Igreja antes de tudo é o Corpo Místico de Cristo, do qual Cristo é a cabeça invisível e o Papa é a cabeça visível. É bom dizer também que não é qualquer um que se salva, afinal, o homem não é redentor de si mesmo porque se assim fosse, o Sacrifício de Cristo teria sido inútil. Afirmar que o homem pode limpar a si mesmo do pecado é cair na heresia gnóstica, uma heresia primitiva irracional que prega, dentre outras coisas, a negação da matéria e a reencarnação.
O homem ao pecar comete uma ofensa infinita contra Deus, que é infinito. Ora, se o homem comete uma ofensa infinita então ele precisa reparar de forma infinita, mas o homem sendo finito é incapaz de fazer isso. Pra reparar as faltas dos homens, Deus, por misericórdia, morreu na cruz e adquiriu um sacrifício reparatório capaz de limpar qualquer pecado. Entretanto, Deus adquiriu o mérito pra todos os homens, mas nem todos os homens tomam parte desse tesouro tão facilmente. Para que tenhamos os méritos de Cristo devemos formar um corpo com Ele e esse corpo, conforme já mencionado, é a Igreja Católica, o Corpo Místico de Cristo do qual fazemos parte através do Batismo (para mais detalhes leia a obra “Por que Deus se fez homem? de Santo Anselmo de Cantuária). Ora, se Cristo possui méritos infinitos e se nós fazemos do Corpo d'Ele, então também nós, pela graça e não por nosso merecimento, tomamos parte nesses méritos. A nossa conduta de vida em evitar o pecado nos garante a comunhão com a Graça, o que nos garante a Salvação. Assim sendo, não é a conduta de vida que nos salva, ela apenas nos mantém unidos à Salvação que nós já recebemos de Deus. A salvação vem pela graça, não por nossos méritos.
Aqui já sabemos que é condição para a salvação que sejamos parte do Corpo Místico de Cristo. Entretanto, pela misericórdia Deus estende esse Corpo a pessoas que não estão fisicamente na Igreja Católica quando em vida, mas apenas espiritualmente. De fato, a Igreja Católica é muito maior do que podemos ver. Pessoas que estão em um estado de ignorância invencível, não pelos méritos próprios, mas pela misericórdia de Deus também podem se salvar.
Aqui devemos fazer alguns esclarecimentos para que não haja nenhum equívoco. 1) não é a religião que a pessoa segue fora da Igreja Católica que salva (embora todas religiões tenham elementos da verdade, apenas a Igreja Católica tem a verdade revelada plenamente), 2) não é o homem que se salva, mas a misericórdia de Deus e 3) não é por merecimento, mas por graça, misericórdia e justiça divinas que os não católicos se salvam.
Ora, se em um ponto remoto da Terra existe um povo que nunca teve entre eles um pregador, será mesmo que Deus seria justo em cobrar deles algo que não conhecem? É claro que não! Por causa disso as pessoas que tiveram uma boa conduta de vida fora da Igreja Católica serão julgadas não pela sua fé, mas pela sua conduta. Deus deixou uma lei moral sensível ao homem, isto é, há um criador (a beleza do mundo nos revela isso) e não devemos fazer com os outros o que não queremos que façam conosco (amarás o teu próximo como a ti mesmo).
Os pagãos ao morrerem se encontram com Cristo e Ele, por sua Infinita Misericórdia, concede a eles seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade para que tomem parte do riquíssimo tesouro de Cristo. Dessa maneira a Igreja crê e ensina que aqueles que não pertenceram à fé católica, a única onde está revelada integralmente a verdade divina, devem entrar em comunhão com a Igreja, o Corpo Místico de Cristo, após a morte para que sejam salvas. Para ver um belíssimo testemunho acerca disso recomendamos que o leitor procure o “Livro da Vida” que conta a história de Glória Polo, uma colombiana que teve uma experiência de quase-morte e visualizou um índio recebendo a Eucaristia antes de entrar no Céu.

Assim sendo, o dogma da Igreja permanece válido até hoje. Cristo de fato morreu por todos, a Igreja existe pra todos, qualquer um pode ser batizado e tomar parte dessa grande graça, mas sem a Igreja não há salvação. Qualquer afirmação que seja diferente dessa é herética e condenada pela Igreja e com justa razão. Esperamos que nossos leitores não sejam divagadores de heresias cujo pensamento é distinto do que ensina a Santa Madre Igreja.

Sola Scriptura: uma doutrina insustentável em si mesma

Uma das doutrinas que é de aceitação unânime no meio protestante é a Sola Scriptura. Essa doutrina diz que a Bíblia é a única fonte infalível de doutrina e cada um deve ser inspirado pelo Espírito Santo para lê-la. É sobre essa doutrina e seus equívocos que faremos uma breve exposição nos parágrafos abaixo.

Em primeiro lugar devemos dizer que é importante reconhecer o grande amor às Sagradas Escrituras que nossos irmãos protestantes têm. De fato, se pretendemos vencer o protestantismo devemos reconhecer suas virtudes e essa é uma delas. Entretanto, isso não nos isenta da obrigação de corrigir os equívocos e exageros originados nessa doutrina a fim de mostrar aos nossos irmãos separados o caminho reto que leva a Deus, isto é, a Santa Igreja Católica, o Corpo Místico de Cristo.

            A doutrina protestante se baseia em interpretações distorcidas de vários versículos da Bíblia que, de fato, é um livro inspirado. Para uma refutação mais detalhada que a exposta nesse artigo, recomendamos ao leitor que leia o livro “Somente a Bíblia? 21 razões para rejeitar a Sola Scriptura” que pode ser encontrado nesse link.

Deus nos deixou Sua palavra para nos instruir e essa palavra é, em parte, a Bíblia. Entretanto, por mais sagrada que seja, a Bíblia é um texto e sendo um texto Ela possui interpretações. Os protestantes alegam que o Espírito Santo é quem deve guiar o leitor para uma correta interpretação da Bíblia. No entanto, dizer isso é, na prática, o mesmo que dar a quem a lê o direito à Livre Interpretação, doutrina abertamente condenada por São Pedro em II Pd I, 20. O resultado dessa livre interpretação protestante é uma divisão cada vez maior no seio do protestantismo com os mais variados tipos de doutrina. De fato, as doutrinas protestantes vão desde a negação da divindade de Cristo a aceitação do casamento homossexual.

            Não obstante aos efeitos catastróficos da livre interpretação, é importante notar também que a doutrina da Sola Scriptura é pautada em um absurdo chamado “raciocínio circular”. O raciocínio circular coloca uma causa como efeito num momento e em outro coloca o efeito como causa de forma e não dar uma resposta lógica. Dessa forma, os protestantes afirmam que creem na Bíblia porque ela é inspirada. Quando se pergunta a eles o porquê da inspiração, eles dizem que a própria Bíblia diz isso. Se perguntarmos novamente por que creem no que está escrito nela, respondem que é porque ela é inspirada. Assim sendo, o raciocínio fica andando em círculos.

            Além disso, se o simples fato de “estar escrito” torna um texto inspirado, qualquer um pode escrever qualquer coisa e no fim da coisa escrita dizer que a mesma é inspirada. Entretanto, mesmo os protestantes admitirão, sem problemas, que isso é um absurdo. Além do problema da inspiração, não há na Bíblia um cânon definido de livros citado em nenhum lugar, portanto, nem mesmo a Bíblia define o que é Bíblia.

            Houve, pois, alguém que definiu quais livros compõem a Bíblia e que disse que ela é inspirada. Esse “alguém” é a Igreja Católica que, guiada infalivelmente pelo Espírito Santo, definiu a lista dos Livros Sagrados ao longo dos séculos. Ora, essa mesma Igreja que escreveu e selecionou os livros da Bíblia deixou-nos também uma riquíssima Tradição, tão sagrada quanto a Bíblia e com documentos de mesma autoria daqueles que escreveram as Sagradas Escrituras. Se os autores sagrados deixaram ensinamentos fora da Bíblia e pediram para que os seguíssemos como seguimos as Sagradas Escrituras, por que então os protestantes seguem uma parte e rejeitam outra? Se os mesmos autores, os mesmos bispos disseram sob a mesma inspiração que ambas as coisas são sagradas, por que então aceitar apenas uma parte do que eles disseram?

            A verdade é que existe aqui uma clara negação às origens do cristianismo por parte dos protestantes. Os autores sagrados sob ação do Espírito Santo deixaram não apenas o Livro Sagrado, mas também uma rica Tradição igualmente inspirada. Basta vermos que antes do Novo Testamento ser escrito ele foi anunciado por vários anos na forma de Tradição até passar a forma escrita e só depois de tudo isso passar a fazer parte das Sagradas Escrituras, antes compostas apenas pelos livros do Antigo Testamento.

            Alguns podem objetar: Se Deus queria mesmo que a Tradição fosse considerada Sagrada, por que ela não está na Bíblia? A resposta para essa pergunta está em Mt. XVI, 18: Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja. Ora, Jesus fundou uma Igreja para transmitir a fé aos fiéis, não uma biblioteca. Fazemos, pois, parte de uma Igreja que é um Corpo Místico, não de uma Biblioteca que é um Corpo Místico. Essa Igreja, fundada por Cristo em São Pedro, é a Igreja Católica, a coluna e sustentáculo da verdade (I Tm III, 15).

            Os protestantes tentam negar a fundação da Igreja em São Pedro dizendo que a pedra à qual Cristo se refere é Ele mesmo e não São Pedro. Para isso usam algumas interpretações errôneas do idioma grego, interpretações essas refutadas aqui, em um artigo de Alessandro Ricardo Lima. Entretanto, mesmo sem explicações teológicas profundas conseguimos ver que, se a pedra é Jesus e não Pedro, a sentença de Mt. XVI, 18, perde completamente seu sentido.

            Deus nos deixou, portanto, uma Bíblia que atesta os primeiros anos do Cristianismo, as primeiras definições e certamente uma fonte riquíssima de verdades sobre Jesus Cristo que não deve ser desprezada. Entretanto, a Igreja vive e no decorrer da história e vivência da Igreja foi estruturada a Tradição em plena concordância com o Evangelho. Ademais, a própria Bíblia é parte dessa Tradição, mas em forma escrita. Por fim, todo esse tesouro não só é guardado como também é ensinado pela Igreja de forma infalível através do Espírito Santo. Também a essa Igreja, formada por homens santos e pecadores, foi incumbida a missão de interpretar todo o tesouro da fé, dando ao mesmo seu real significado. Apoiada nesses três pilares: a Bíblia, a Tradição e o Magistério, está sustentada toda fé da Santa Igreja, a única instituída por Cristo para a Salvação dos homens.